Nova Frontier evolui em tudo; custa R$ 166 mil

HECTOR VIEIRA
De São Paulo (SP)
17/03/2017 15:00
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017
Nissan Frontier 2017

A nova geração da picape eternizada pelo comercial dos "pôneis malditos" desembarcou no Brasil. A linha 2017 da Nissan Frontier chega às concessionárias em abril importada do México (por enquanto), com visual repaginado, motor atualizado e versão única: LE, por R$ 166.700. O principal, contudo, é sua nova plataforma, que será compartilhada com Renault e Mercedes-Benz para dar origem às inéditas Alaskan e Classe X, respectivamente. E, se o comportamento da Frontier servir como parâmetro, elas não vão se arrepender desta parceria com a Nissan.

A arquitetura estreada pela Frontier reduziu o peso da picape em 176 kg, graças à adoção de materiais mais leves em sua construção, como aços de alta resistência no chassi e na carroceria do utilitário. Para garantir robustez ao conjunto, a Nissan promoveu uma nova configuração de chassi, batizada de "duplo C", que nada mais é do que uma longarina dupla (há uma camada a mais de aço inserida na longarina convencinal).

Nova geração da Nissan Frontier vem do México e custa R$ 166.700

Com isso, houve ganho significativo em rigidez torcional, permitindo à fabricante garantir que mesmo enviesada sem duas rodas no chão é possível abrir as portas da cabine sem forçar a estrutura da lataria.

Outra solução importante da plataforma da Nissan é o conjunto de suspensão. Preocupados com o crescimento de um novo tipo de consumidor de picape, mais urbano, o sistema foi desenvolvido “para um uso misto”, como definiu Alan Pouce, gerente de marketing de produto da companhia. Ou seja, deve aliar força para suportar cargas de até uma tonelada e conforto para rodar com a caçamba vazia.

Visual mescla elementos modernos com robustez

Embora a suspensão traseira da picape contenha um eixo rígido, a Nissan a trata como “multilink”, devido aos cinco braços de localização conectados ao chassi. O termo é mais mercadológico do que técnico, conforme nos orientou Bob Sharp, consultor técnico da CARRO. Tecnicidade à parte, o fato é que a configuração com molas helicoidais entrega um comportamento exemplar à Frontier. O conjunto é tão eficaz em absorver as imperfeições da via, evitando a oscilação da carroceria, que não é exagero dizer que a Frontier se tornou nova referência neste quesito. 

EXTERMINADOR E ELEGANTE
Visualmente, embora a picape não traga algo exatamente novo à categoria, a Frontier está bem servida. Seu design é bastante contemporâneo e os elementos de identidade da marca estão todos bem à vista (como as barras cromadas da grade frontal e o vinco "V-Motion" englobando o logotipo da marca na tampa da caçamba). 

Identidade visual da Nissan é caracterizada por vincos "V-Motion"

De acordo com Robert Bauer, chefe de design da Nissan no Brasil, a ideia que balizou o departamento na hora de criar a nova Frontier foi uma "imagem do ator Arnold Schwarzenegger vestindo um smoking". Ou seja: algo que mesclasse força e robustez com elegância e modernidade. 

Para quem a vê de fora, o que chama a atenção para quem está acostumado com a Frontier anterior é o tamanho da caçamba atual. São 805 litros, ante aos 1.012 litros da antecessora. A capacidade de carga, no entanto, não foi prejudicada: são 1.050 kg. Aproveitando o tema, a caçamba traz uma entrada para tomada, protegida da chuva, e ganchos de fixação apenas acima do assoalho. 

Menor, caçamba não possui ganchos de fixação no assoalho

Por dentro, é notável o esforço da Nissan em tornar a cabine da Frontier mais refinada. O acabamento inteiramente preto contribui para criar um ambiente mais elegante, ainda que o desenho seja evidentemente sóbrio, e a instalação dos materiais é impecável. A qualidade ao toque, porém, não surpreende. Como é de praxe na categoria, há abuso dos plásticos rígidos. 

O destaque do habitáculo fica por conta dos bancos dianteiros, que assim como os do Kicks, possuem a tecnologia chamada de "gravidade zero" pela Nissan. Os assentos acomodam os ocupantes de maneira bastante anatômica, facilitando encontrar a posição ideal de dirigir. 

Cabine tem design sóbrio e muito plástico rígido, mas instalação é caprichada

OS NÚMEROS DA EVOLUÇÃO
Sob o capô, o motor da Frontier passou por um leve downsizing, baixando seu volume de 2.5L para 2.3L, mas potência e torque seguem iguais: 190 cv e 45,9 kgfm. O bloco a diesel é sobrealimentado por dois turbos sequenciais (ambos atuam em baixas rotações, enquanto o maior atua em altas velocidades) e acoplado à uma nova transmissão automática de sete velocidades. 

Com a nova caixa automática, a relação das marchas ficou mais bem distribuída em comparação ao câmbio automático de cinco marchas anterior. Agora, a Frontier dispõe de praticamente duas marchas "overdrive", uma vez que a relação 1:1 é atingida em quinta marcha (antes, isso ocorria em quarta). Na prática, significa dizer que a 120 km/h, o motor da picape está girando a 2.250 rpm, reduzindo consumo e melhorando o conforto por diminuir o ruído interno.

Espaço interno traseiro é generoso até para mais altos

O comportamento do câmbio também é satisfatório. Trocas suaves e respostas rápidas a diferentes pressões no pedal esquerdo tornam a condução mais prazerosa, ainda que a assistência da direção hidráulica possa causar certo cansaço em percursos urbanos (ela não é exatamente leve para manobras). 

Em nossas medições, o desempenho da picape evoluiu em todos os quesitos. Em aceleração de 0 a 100 km/h foram precisos 10s26 para cumpri-la e a média de consumo ficou 23,5% melhor em relação à anterior, rodando 11 km/l entre cidade e estrada. Com estes números, a Frontier assumiu o posto de mais rápida e econômica da categoria. 

Motor 2.3 biturbo, diesel, gera 190 cv e 45,9 kgfm de torque

Quanto às frenagens, o desempenho da Frontier foi apenas razoável. Ela percorreu 42,09 m para frear de 100 km/h a zero. Apesar de ser mais uma evolução em relação à anterior (que precisou de 45,9 m), o número está distante da referência da categoria nesta prova: a Volkswagen Amarok, com 36,78 m. 

VACILOS E VIRTUDES
Se o projeto de engenharia da Frontier merece reconhecimento, o departamento de marketing perdeu uma oportunidade de fazê-la se destacar ainda mais das concorrentes. Na faixa dos R$ 167 mil em que atua, a Frontier LE esbarra nas opções intermediárias de suas rivais e tem como principal trunfo os faróis de LED e os bancos dianteiros aquecíveis, exclusivos no segmento, por este preço. 

Ficha técnica da nova Nissan Frontier

Contudo, neste patamar, já é possível encontrar assistentes de condução (piloto automático adaptativo, farol alto automático, manutenção à faixa, etc.), mais airbags (na Frontier so há o duplo obrigatório, enquanto na Ford Ranger há sete), capota marítima, sensor de estacionamento dianteiro e verificação da pressão dos pneus de série em modelos similares. 

Sabendo que a Nissan possui estes equipamentos em seu portfólio estrangeiro ou em outros carros, fica a dúvida de por quê não os incluíram na Frontier. A explicação de Pouce não convence. Para ele, o perfil de consumidor da Frontier "não sentirá falta destes recursos", tamanha é a qualidade de condução da picape. De qualquer maneira, não estamos dizendo que a Frontier é "subequipada". Nesta configuração única ela inclui, além dos itens citados acima, controle de estabilidade, piloto automático, assistente de partida em rampa, controlador de velocidade em descidas, chave inteligente, partida por botão, ar-condicionado de duas zonas com saída para o banco traseiro, sensor de estacionamento traseiro com câmera de ré e central multimídia com tela sensível ao toque. 

Teste realizado na pista da ZF-TRW, em Limeira (SP)

A nova Nissan Frontier será importada do México até que a produção na Argentina comece, o que deve ocorrer ainda este ano.