Porsche faz do novo Panamera um carro ultramoderno

CLAUDIO DE SOUZA FLORENCIO
Da Motorpress, em Dresden (Alemanha)
20/07/2016 19:00

A segunda geração do Porsche Panamera, que será apresentada no Brasil em novembro no Salão do Automóvel de São Paulo, reivindica o título de carro mais sofisticado do mundo. Dezenas de novidades mecânicas e tecnológicas fazem do sedã/cupê da grife alemã (que prefere defini-lo como gran turismo) uma espécie de vitrine da contemporaneidade automotiva.

Para quem vê cara, e não coração e alma, a boa nova é que o visual do Panamera também mudou -- e ficou muito melhor.

Panamera Turbo de segunda geração chega ao Brasil em 2017
A gama inicial oferecida aqui na Europa (onde as vendas ainda nem começaram) conta com três opções de motor, todas na dianteira: 2.9 V6 de 440 cv (Panamera 4S) e dois 4.0 V8, um a gasolina e 550 cv (Panamera Turbo), outro a diesel de 422 cv (Panamera 4S Diesel). Os dois primeiros serão vendidos no Brasil no primeiro semestre de 2017.

Segundo o que dizem executivos e engenheiros da Porsche reunidos na apresentação internacional do Panamera aqui em Dresden, na Alemanha, não é mero clichê afirmar que a segunda geração do Panamera é "outro carro". A começar do visual: a dianteira ganhou um conjunto óptico com quatro pontos de LED em cada farol (um sistema denominado LED Matrix, com facho direcional e outras funções), abandonando as tradicionais peças redondas da grife de Stuttgart.

Sedã/cupê da Porsche foi totalmente reformulado
As extremidades inferiores do parachoque, que eram quase amorfas, agora têm no Panamera Turbo um desenho pentagonal que os mais atentos poderão associar aos atuais Lamborghini (no 4S o desenho é mais careta). Atrás, uma fita de luz atravessa toda a carroceria e une as duas lanternas em formato de seta, uma solução que alia estética e segurança e ainda dialoga com o 911 Carrera 4. O defletor de ar escamoteável é tripartido, solução para que possa ser recolhido num espaço menor do que sua largura quando aberto.

A silhueta de "cupê gigante" (são 5,05 metros) foi suavizada à medida que as linhas do teto do Panamera chegam ao parachoque.

A plataforma desta segunda geração é totalmente nova. Estruturalmente, é dividida em três módulos, permitindo variação do entre-eixos com o ajuste da peça central. No trem-de-força, há inovações que descem ao nível micrométrico.

Com 5,05 metros, Panamera é enorme para os padrões brasileiros
É o caso do banho de ferro na parte interna dos cilindros, formando uma camada de 150 mícrons de espessura (0,15 milimetro), suficiente para reduzir o atrito do pistão e aumentar a eficiência do motor. Outra inovação é mais conspícua: as turbinas dos compressores duplos (todos os novos motores são twin-turbo) ficam situadas no espaço central deixado pelo "V" formado pelas bancadas de cilindros, permitindo melhor gerenciamento do fluxo de ar pelo propulsor.

Os injetores e o catalisador também ficam localizados no centro dos motores: a idéia é deixar espaço para adições ao trem-de-força; uma delas, óbvia, é o motor elétrico da futura versão híbrida do Panamera.

Faróis com sistema LED Matrix e entradas de ar pentagonais marcam a frente
Como medida adicional para poupar combustível, os V8 do Panamera possuem desligamento automático de quatro cilindros (dois em cada bancada) em situações de baixa exigência; e o motor a diesel pode alternar entre o funcionamento de uma ou duas turbinas, também para poupar energia. 

A nova geração do modelo traz uma transmissão inédita, a PDK (dupla embreagem) de oito velocidades (em vez de sete, como no primeiro Panamera). Como é praxe nos câmbios do tipo (que, a rigor, são automatizados), as marchas seguintes estão sempre pré-engatadas, tornando as trocas imperceptíveis. A performance máxima do modelo é alcançada já em sexta velocidade, deixando para sétima e oitava marchas a função de overdrive (mais uma medida em busca de eficiência). A tração é integral.

As duas turbinas dos motores do novo Panamera ficam no "V" dos cilindros
Os números do Panamera no quesito consumo de combustível apresentados pela Porsche são os seguintes: o 4S V6, que cumpre o zero a 100 km/h em 4s2 e chega à máxima de 289 km/h, tem média combinada (urbano + rodoviário) de 12,3 km/litro de gasolina; o V8 Turbo, com zero a 100 km/h em 3s6 e máxima de 306 km/h, tem média de 10,7 km/l. São bons números para motores grandes e que movem um carro que pesa entre 1.870 kg e 1.995 kg (V6 e V8, em ordem de marcha). Ambos usam gasolina premium na Europa.

Já o Panamera 4S Diesel, que vai de zero a 100 km/h em 4s5 e crava a máxima de 285 km/h (mas com "torcaço" de 86,7 kgfm disponíveis a 1.000 rpm), registra no ciclo combinado o consumo de 15 km/l.

Direto do nosso Facebook: arrancando com o Panamera


RECHEIO
No conteúdo, o novo Panamera traz alguns itens tecnológicos que já são oferecidos em outros modelos da Porsche, como rodas traseiras esterçáveis, PASM (controle ativo da suspensão a ar adaptativa, que ajusta automaticamente a firmeza do conjunto), PDCC (controle de chassi), PTV Plus (vetorização do torque no eixo traseiro) e sistemas de condução semiautônoma (controle de cruzeiro adaptativo, assistente de faixa etc.).

A novidade é a introdução do 4D-Chassis Control, que centraliza a ativação desses e de outros sistemas a partir da análise eletrônica das condições de condução. Um exemplo dado pela própria Porsche: numa curva contornada de modo mais "dinâmico" (ou seja, em velocidade acima do razoável) pelo novo Panamera, o controle 4D pode decidir acionar todas os sistemas simultaneamente, modulando a intensidade de cada um, para atingir o objetivo de não sair do traçado e completar a manobra em segurança e com rapidez.

Na cabine, o que mais chama a atenção é o conjunto de instrumentos e o multimídia. Atrás do volante, como é tradição na Porsche, salta aos olhos o conta-giros grande e centralizado. Mas ele é a única peça analógica do cluster: dos dois lados dele há telas com instrumentos virtuais -- inclusive o velocímetro.



O sistema multimídia possui tela tátil e wide de 12,3 polegadas e oferece alta conectividade com o smartphone dos ocupantes. Dependendo do país, pode-se inserir um cartão SIM com plano de dados num slot que fica dentro do porta-luvas, e então conectar o Panamera diretamente à internet. O som de série é Bose, mas cerca de 4 mil euros adicionais podem acrescentar a algumas versões um sistema 3D de altíssima gama, com 21 alto-falantes.

Claro, o Panamera é um sedã/cupê com alma de esportivo, mas também é um carro de luxo. Ele oferece apenas quatro lugares -- mas são quatro superbancos, todos eles com 18 ajustes de posição, oito de apoio lombar e cinco programas de massagem.

CARRO ONLINE andou no novo Panamera apenas como passageiro (veja no vídeo acima, que reproduz o post original em nosso Facebook), num circuito próximo a Dresden (EuroSpeedway Lausitzring), e por ora se abstém de emitir opinião sobre a condução do modelo. Os carros usados no evento da Porsche eram "pré-série", ou seja, feitos antes de a linha de produção começar a funcionar efetivamente -- além disso, tinham proteções plásticas grudadas na carroceria para evitar danos pelos resíduos da pista. 

MERCADO
A Porsche do Brasil ainda não tem os preços locais da nova geração do Panamera. CARRO ONLINE avalia que a versão topo, a Panamera Turbo, deve ultrapassar a marca do milhão de reais.

O carro vem experimentando uma queda nas vendas, em parte atribuível ao sucesso do SUV compacto Macan no país, que estaria roubando clientes mais interessados na marca Porsche do que numa carroceria específica. Segundo a assessoria da marca, em 2014 foram emplacadas 23 unidades do Panamera, caindo para 19 no ano passado. Este ano, em todo o Brasil foram apenas sete carros no 1º semestre.

A grife esportiva alemã acabou de apresentar ao mercado brasileiro a gama completa do 911 e também o "mais barato" 718 Boxster; agora mostra o Panamera e, logo mais, o 718 Cayman. Opção é o que não falta para os endinheirados. 

Viagem a convite da Porsche