Basta conversar com alguns executivos de marketing e vendas das fabricantes que a maioria é taxativa: a procura por modelos automáticos registra um crescimento que supera as expectativas. Mas e você? Surgiu uma vontade de experimentar um carro com essa transmissão?

Se esse é o seu caso, ou você simplesmente busca mais conforto na hora de encarar os constantes engarrafamentos e semáforos na cidade, que tal fazer uma experiência sem gastar muito e ainda dar folga ao pé esquerdo? Por isso, resolvemos fazer uma análise envolvendo os cinco modelos mais acessíveis do mercado quando equipados com esse tipo de transmissão. Desconsideramos aqueles que têm a transmissão robotizada, como a linha Dualogic da Fiat ou I-Motion da Volkswagen, pelos inconvenientes causados pelos "soluços" a cada troca de marcha e para não misturar tipos diferentes de câmbio. Dessa forma tornamos o levantamento mais justo, uma vez que os robotizados são mais acessíveis.  

Como era de se esperar, o levantamento envolveu predominantemente hatches, com a companhia de apenas um monovolume. Os modelos são os seguintes (por ordem crescente de valor, todos já com câmbio desejado): Kia Picanto (R$ 41.900), Chevrolet Onix LT 1.4 (R$ 43.990), Renault Sandero Privilège (R$ 44.580), Nissan Livina 1.8 S (R$ 47.190) e Hyundai HB20 1.6 Comfort Style (R$ 47.595).

Chevrolet Onix

Um ponto interessante é que ele não ultrpassam os R$ 50.000, mas, pelo menos por enquanto, ainda não é possível comprar um carro no Brasil com caixa automática, ou mais eficiente, por menos de R$ 40.000. Outro entrave é que o câmbio “obriga” o consumidor a optar pelas versões mais equipadas. A transmissão é sempre vinculada aos catálogos mais completos, como é o caso do Sandero e Onix, por exemplo. 

O motivo, segundo a maioria das fabricantes, é que os consumidores de carros automáticos já buscam um carro que ofereça mais conforto, logo a pessoa naturalmente o levaria equipado com itens como ar-condicionado, trio elétrico, direção com assistência elétrica ou hidráulica, dentre outros itens. 

De acordo com o raciocínio, as cinco opções mostradas aqui são completas, trazendo os recursos de conforto, conveniência e comodidade mais procurados. Nesse ponto, o Onix destaca-se com a central multimídia MyLink, a qual você é forçado a levar se você quer o câmbio automático.

Hyundai HB20

Dos cinco o Onix é o que tem a transmissão mais interessante. Ela conta com 6 marchas e opção de troca sequencial na alavanca. Nos demais, a caixa oferece 4 velocidades e somente o Sandero é possível interferir nas mudanças.

Mesmo assim isso não significa que ele é o melhor. Quem dirige o Onix nota que falta um pouco mais de suavidade para a caixa automática, em especial nas reduções. Além disso, apesar da ótima “conversa” que ela estabelece com motor, seu 1.4 é pouco para o Onix automático. Não espere um comportamento muito arisco desse hatch, que só foi melhor em desempenho que o Sandero, segundo nossos testes. O pior deles na hora de acelerar, contudo, é o Kia Picanto, até mesmo pela limitação de seu motor 1.0. 

Com o motor mais potente dos cinco, até mesmo que o 1.8 16V da Livina, o HB20 1.6 16V é o mais desenvolto ao volante, seguido de perto pelo monovolume. O HB20 também se destaca pelo bom comportamento dinâmico, só prejudicado pela dificuldade da suspensão traseira em lidar com alguns obstáculos pelo caminho, como uma valeta, em especial quando carregado.

Kia Picanto

Só que se você procura versatilidade, o Livina é a pedida. Com o maior porta-malas dos cinco e um habitáculo espaçoso, fica fácil levar a família e toda bagagem. O Sandero vem logo atrás, seguido pelo HB20, Onix e o Picanto. Pensado para o uso urbano, o Kia preocupa-se muito mais em oferecer facilidade para estacionar graças ao tamanho compacto e economia de combustível. É uma ótima opção se você quer um carro só para o dia a dia, sem se preocupar com a viagem do fim de semana. 

Já que estamos falando do Picanto, ele foi que apresentou os maiores gastos de manutenção somando nossa cesta de peças padrão (jogo de pastilhas de freio dianteiro, filtros de ar, óleo e combustível, jogo de velas, além de farol, lanterna e retrovisor do lado esquerdo) e revisões até 30.000 km. O valor para ele ficou em R$ 4.229 contra R$ 2.547 do Sandero, R$ 2.437 para o Onix, R$ 2.398 para a Livina e R$ 1.478 orçado para o HB20.

Vale destacar que o HB20 conta com cinco anos de garantia, mesmo prazo do Picanto, porém as revisões na rede de concessionária, obrigatórias para você usufruir do benefício, são bem mais em conta para o Hyundai. Sandero, Livina e Onix ficam nos três anos de garantia.

Nissan Livina

Outro ponto em que precisamos ficar atentos, ainda mais em modelos automáticos, é o consumo de combustível. Nesse ponto, o Kia Picanto foi disparado o melhor, com média PECO (considerando peso de 55% para o uso urbano e 45% para o ciclo rodoviário) de 10,3 km/l. Em seguida, auxiliado por suas 6 marchas, o Chevrolet Onix alcançou 9,6 km/l, seguido por Nissan Livina (8,6 km/l), Hyundai HB20 (8,1 km/l) e, em último lugar com a alarmante média de 6,7 km/l, ficou o Renault Sandero. 

O Hyundai HB20 é o modelo mais caro das cinco opções reunidas aqui, contudo é o que oferece o preço de manutenção mais competitivo, bom prazo de garantia e o melhor desempenho. Sua ressalva vai para o consumo de combustível, que não é dos melhores, mas fica na média dos rivais. Por tudo isso, o HB20 mostra-se a melhor opção para quem quer entrar no mundo dos automáticos. Mas vale uma observação: se você tem família ou precisa de amplo espaço interno, recomendamos considerar o Nissan Livina. 

Renault Sandero