Mercedes detalha motor de F1 de seu hipercarro

Motorpress
Da Redação, em São Paulo (SP)
10/03/2017 11:27

A Mercedes-Benz aproveitou o Salão de Genebra, na Suíça, para divulgar mais detalhes sobre o trem-de-força do inédito hipercarro que a divisão AMG está construindo para celebrar o aniversário de 50 anos da preparadora esportiva. O manda-chuva da AMG, Tobias Moers, confirmou que o Project One (nome provisório do carro) terá mais de mil cv de potência e falou sobre quais serão as diferenças entre o motor dele e o de um Fórmula 1. As informações são do site Motoring.

Silhueta do Project One prima pela aerodinâmica

Apesar de o motor 1.6 V6 turbo ser praticamente o mesmo dos usados pela equipe Mercedes-AMG Petronas na F1, o conjunto tem características distintas das usadas na maior categoria do automobilismo. A começar pelo sistema híbrido, que no Project One será composto por dois motores elétricos (de 160 cv cada) instalados no eixo dianteiro, enquanto o bloco 1.6 V6 turbo (que deverá render pelo menos outros 680 cv) tracionará as rodas de trás, formando, assim, a tração integral do hiperesportivo. 

Acoplado ao motor a combustão, os engenheiros da AMG optaram por um câmbio manual automatizado em lugar de um robotizado de dupla embreagem ou automático convencional. A decisão é devido ao tamanho mais compacto e mais leve de uma caixa convencional, que também é capaz de suportar mais torque. E assim como em um Fórmula 1, motor e câmbio serão partes estruturais do carro, ou seja, instalados diretamente no chassi. 

Para abastecer os dois motores elétricos, o Project One terá uma bateria de íon-lítio leve de alta densidade e rápida descarga. Moers afirmou que o conjunto elétrico será capaz de entregar uma pequena autonomia livre de emissões, de aproximadamente 25 km com uma carga completa da bateria.

Motor 1.6 V6 da F1 passou por modificações para o Project One

Entre as característas que o Project One manterá do motor 1.6 V6 de F1 será o turbocompressor divido em duas partes. Neste caso, turbina e compressor são instalados de maneira separada em cada extremidade do motor, a fim de reduzir a geração de calor da proximidade da carcaça quente do turbo e do compressor. As duas partes são conectadas por um eixo comum. O motor a combustão será capaz de atingir 11 mil rotações por minuto. 

Para adequar o motor de F1 ao Project One e, consequentemente, homologá-lo às ruas, a AMG teve que realizar uma série de modificações. Entre elas, a alteração da taxa de compressão (especialmente para a legislação de emissões de poluentes), virabrequim e cabeçote são fundidos e o sistema de injeção direta de combustível também foi adaptado (em neutro, um F1 mantém o giro do motor em cerca de 4.000 rpm, enquanto o Project One ficará em torno de 1,200 rpm). 

Tobias Moers afirmou que serão construídas 275 unidades do Project One e que o preço será de aproximadamente US$ 2,4 milhões (ou R$ 7,5 milhões). A apresentação oficial do carro ocorrerá durante o Salão de Frankfurt, na Alemanha, em setembro deste ano, mas as entregas só acontecerão no ano que vem. 

Project One custará cerca de R$ 7,5 milhões