XC90 diesel é bom, mas gasolina vale mais a pena

HECTOR VIEIRA
Da Motorpress, em São Paulo (SP)
06/12/2016 17:00
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5
VOLVO XC90 D5

A Volvo apresentou nesta segunda-feira (5) a versão diesel do SUV luxuoso e tecnológico XC90. O modelo agora tem duas versões equipadas com o propulsor turbodiesel D5 de 238 cv de potência, cujos preços partem de R$ 369.950 (para a versão Momentum) e R$ 419.950 (para a Inscription). 

As versões com o novo motor são praticamente idênticas às movidas a gasolina no quesito estético e de equipamentos. Por fora, só há a diferenciação do emblema na tampa do porta-malas, mas o design é rigorosamente o mesmo, incluindo a assinatura de LED para uso diurno incorporada aos faróis (o chamado "martelo de Thor"). 

Detalhe da assinatura de LED do "martelo de Thor" da Volvo

A cabine da linha 2017 (que estreia junto com o motor diesel) ostenta o mesmo design simples, mas muito benfeito e que agora conta com detalhes de aço (na versão Momentum) ou maderia legítima (na Inscription), além do revestimento de couro e material emborrachado. O grande destaque continua sendo a central multimídia, um verdadeiro tablet que abriga todas as funcionalidades do carro (só há oito botões físicos no console central) e tem uma navegação bastante intuitiva e prazerosa, devido à tela capacitiva (mesma resposta de uma tela de smartphone). 

Outra novidade da linha 2017 do XC90 é o recurso Pilot Assist funcionar até os 130 km/h (antes seu limite era até os 50 km/h). O sistema conta com um conjunto de radares, sensores e câmera para controlar o piloto automático adaptativo, assistente de manutenção à faixa e pontos-cegos para guiar o veículo de maneira semi-autônoma, realizando curvas e se mantendo em distância segura do veículo da frente. A tecnologia é uma das mais avançadas do mercado no Brasil atualmente, mas requer que o motorista assuma o volante a cada 15 segundos, por segurança, afinal, ela não é autônoma integralmente, portanto não está preparada para toda e qualquer situação nas ruas.  

Sistemas multimídia do XC90 é um dos mais interessantes do mercado

BOM FÔLEGO NA ESTRADA
O foco do evento realizado na capital paulista, contudo, foi mesmo o motor novo. O propulsor D5 diesel faz parte da plataforma modular SPA (que dá origem à toda a família 90 da Volvo e, futuramente, a 60 também) e tem deslocamento 2.0 de quatro cilindros em linha, capaz de gerar 238 cv de potência e 48,9 kgfm de torque, acoplado à transmissão com câmbio automático de oito marchas e tração integral. 

O bloco é composto por dois turbos sequenciais (um para baixas rotações e outro para um giro mais alto) e pela tecnologia PowerPulse, desenvolvida pela própria Volvo. Trata-se de uma espécie de bomba de ar comprimido que injeta ar pressurizado à carcaça quente da turbina quando há necessidade de uma resposta mais ágil do motor. A adição de ar ajuda os gases de exaustão a girar o rotor do turbo para compensar o famoso "turbolag". 

A fabricante ofereceu um percurso de 150 km para avaliarmos o XC90 diesel e a conclusão ao final do dia foi positiva. O carro é, obviamente, mais contido em termos de desempenho em relação ao 2.0 turbo a gasolina de 320 cv, mas não deixa a desejar na hora de realizar ultrapassagens ou se manter em velocidades mais altas com conforto. Em nenhum momento o SUV deixa transparecer que seus 2.171 kg são um problema para ele, mas não espere algo empolgante.

Emblema D5 designa versão diesel do SUV

A vantagem dele é sua eficiência. Embora o Programa de Etiquetagem do Inmetro tenha obtido média de 12 km/l (resultando numa nota B em sua categoria e D na geral do órgão), é perfeitamente possível alcançar médias mais generosas com ele – atuando de maneira mais parcimoniosa sobre o acelerador no modo de condução Eco, por exemplo. Com esta média oficial, ele entrega autonomia de 852 km (o que subiria para mais de mil km, caso o motorista consiga a possível média de 16 km/l).

GASOLINA PODE SER MELHOR NEGÓCIO
Em que pese sua grande autonomia, o veredito deste repórter, que pôde avaliar os dois motores do XC90, é que a versão a gasolina (T6) pode ser mais vantajosa. A conclusão contraria a equipe da Volvo, que prevê um mix de vendas de 60% a diesel e 40% a gasolina, mas considerando os valores de cada versão e os pacotes de equipamentos rigorosamente idênticos (as versões Momentum e Inscription têm as mesma configuração, o que muda é o motor), o XC90 T6 é a escolha a ser feita. 

Acabamento da linha 2017 conta com madeira legítima

Comparando os valores pedidos pelas versões Inscription (que possuem suspensão pneumática variável e bancos com ventilação como os principais diferenciais em relação à Momentum), temos: R$ 383.950 pelo T6 e R$ 419.950 pelo D5. Lembrando que daqui alguns meses o preço da Inscription D5 subirá em torno de R$ 20 mil, pois este valor apresentado hoje é promocional de lançamento, a diferença entre os dois carros pode chegar a mais de R$ 50 mil (!!!). 

Em nossos testes de consumo, o XC90 T6 obteve média de 12 km/l na estrada, o mesmo número alcançado pelo Inmetro para o diesel. Ou seja, além de ter um desempenho mais animador, o modelo a gasolina pode ser tão eficiente quanto o diesel (imaginando um motorista "ecológico" no a gasolina e um "pé-de-chumbo" no diesel). E a economia com o diesel a cada enchida no tanque certamente não será recompensada tão cedo, mesmo levando em conta os R$ 36 mil de diferença atuais. 

METAS PARA 2017
De qualquer maneira, a Volvo pretende aumentar em até 75% o volume de vendas do XC90 ano que vem (totalizando entre 650 e 700 unidades emplacadas até o final de 2017) com a chegada da versão a diesel. O modelo estará disponível nas lojas até o natal deste ano.