Tiguan e Golf Variant 2017 têm desafios diferentes

RODRIGO RIBEIRO
Da Motorpress, em Sumaré (SP)
28/09/2016 08:30

A Volkswagen apresentou, junto do novo Golf 1.0 TSI, os novos Golf Variant e Tiguan. Superficialmente, dá para dizer que a perua ganhou motorização flex e o utilitário esportivo, uma nova versão. Mas as novidades vão bem além disso e afetam, não só o seu bolso, mas também a forma como o mercado pode ver esses dois modelos com grandes dificuldades pela frente.

Os belos faróis de bixenônio com DRL em LED são opcionais
Os obstáculos são maiores para a Golf Variant, principalmente por seu conceito. O segmento de peruas ainda tem seus seguidores no Brasil, mas ele está tão enxuto que só o familiar derivado do Golf participa da faixa próxima dos R$ 100.000. É verdade que ela acompanha o bom legado de sua antecessora, ainda chamada de Jetta Variant, mas sua média de 97 unidades vendidas por mês mostra quão pequeno é o nicho em que atua.

Visual da versão flex é igual ao do Golf Variant anterior
Por isso, a notícia que a Volkswagen adicionaria o "pacote Brasil" à Golf Variant era atraente. Além do motor flex (importado do Brasil) com 10 cv extras, a perua passou a usar a mesma suspensão traseira por eixo de torção e câmbio automático convencional de seis marchas do Golf nacional. As duas soluções técnicas são mais simples e possuem, em teoria, um custo menor de produção do que a caixa robotizada de dupla embreagem e suspensão independente dos modelos anteriores.

Sistema multimídia é de série, mas tela grande de 8" é opcional
Mas, como se tornou uma triste tendência, a Volkswagen aumentou os preços da Golf Variant em mais de R$ 5.000. Agora o pacote Comfortline começa nos R$ 101.880, enquanto o Highline custa a partir de R$ 113.290 - sempre com câmbio automático, já que a caixa manual deixou de ser oferecida no Brasil. Entre os itens que diferenciam o pacote mais caro estão o ar-condicionado digital de duas zonas, bancos de couro, sensor de luz e chuva e controlador de velocidade.

Espaço atrás é bom para dois adultos; 3º ocupante tem menos conforto
Os pacotes de opcionais são similares ao da versão monocombustível, com destaque para os faróis de xenônio com facho alto automático, teto-solar panorâmico, controlador de velocidade adaptativo e estacionamento automático. Completo, um Golf Variant Highline passa dos R$ 150.000.

Porta-malas tem bons 605 litros de capacidade
Como a perua está sozinha no segmento, o aumento dos preços e a polêmica mudança de câmbio e suspensão não devem impactar negativamente nas vendas. Isso porquê o Golf Variant é visualmente o mesmo, com a adição (mais mercadológica) do sistema flex. Os mais críticos vão alertar, com razão, que a troca do câmbio é perceptível, pois, mesmo eficiente, a caixa Aisin convencional não consegue equiparar a velocidade de trocas do sistema DSG de sete marchas.

Mas, para notar a diferença, o potencial cliente deverá ter guiado um modelo anterior recentemente, ou fazer o test-drive seguido entre um carro e outro. Nessa circunstância também pode ser levemente possível que se perceba as diferenças da suspensão traseira dependente, sobretudo em mudanças bruscas de direção.

Caso contrário, ou seja, em 99% dos cenários que o Golf Variant será utilizado, essas mudanças não surtem efeito ao motorista médio, que ainda pode elogiar a ausência de ruído de embreagens do novo câmbio. Para a Volkswagen é um cenário de vitória sempre: o carro pode ter ficado mais barato de se produzir, mais silencioso e continua atraente para seus clientes. O problema é que nenhuma dessas novidades deve ajudar a alavancar as vendas tímidas da perua.

Visual do SUV Tiguan é o mesmo desde 2011
À ESPERA DO FIM
Situação diametralmente oposta vive o Tiguan. Além de ser competidor de um segmento quase blindado da crise, o SUV europeu estreia uma versão mais barata e com um recurso inédito na gama. Só tem um detalhe: ele irá sair de linha.

O visual da nova versão 1.4 é idêntico ao do Tiguan 2.0
Mas não vai ser agora. A Volkswagen fabrica, simultaneamente, a primeira e segunda geração do Tiguan. O modelo "novo mesmo" inclusive já foi testado por nós, mas só deve chegar aqui próximo de 2018. Isso porque a Volkswagen irá vender no Brasil a versão mexicana do novo Tiguan, que sequer foi revelada ainda. Mas nós contamos um segredo: ela será igual ao Tiguan chinês, alongado e com capacidade para sete pessoas.

Painel agora conta com sistema multimídia mais moderno
Enquanto seu sucessor não chega, o Tiguan 2.0 de R$ 149.990 agora recebe a companhia da versão 1.4 de R$ 125.990. Além do motor menor, monocombustível, de 140 cv, ele tem tração dianteira e câmbio de dupla embreagem a óleo de seis marchas. Detalhe: esse sistema, também usado no Golf GTI, é mais rápido que o sistema convencional de seis marchas do Tiguan 2.0 e sem o problema de ruído em pisos acidentados que a caixa de sete marchas a seco enfrenta.

Câmbio robotizado de dupla embreagem é bem-vindo, mas só no Tiguan 1.4
Outra diferença é que, ao contrário do Golf Variant, as diferenças desse Tiguan são perceptíveis a boa parte dos motoristas. Começando pelo motor, que não recebeu o upgrade de 10 cv da família Golf/Jetta. Apesar de valente, ele é incomparável ao 2.0 de 200 cv da versão oferecida até então. Antes, o Tiguan era um SUV que dava gosto de andar, com fôlego e desempenho comparável a muito carro pequeno.

Agora a sensação é que "sobra" suspensão e direção, mas falta motor para embalar tudo isso. Que fique bem claro que o problema aqui é a referência: o Tiguan 1.4 não é lento, é o 2.0 que é muito rápido. O câmbio robotizado faz milagres para agilizar retomadas, mas agora esse Volkswagen é como outros SUVs, com uma pegada mais esportiva, mas menos espaço interno. E mesmo no quesito estabilidade a versão 1.4 perde, pois a ausência da tração traseira se faz sentir em pisos de terra batida, com a traseira chegando a sair do prumo antes do ESC entrar em ação.

Como SUV, o Tiguan 1.4 tem atrativos para quem necessita ou busca um utilitário esportivo e prefere um modelo com uma pegada mais próxima ao de um automóvel. Mas se dinâmica e prazer ao dirigir for essencial para você, uma aposta é certa: faça o test-drive do modelo 2.0. A diferença de R$ 25.000 irá sumir na primeira aceleração.