Teste: Kia Soul EX

Motorpress
Da Redação, em São Paulo (SP)
07/10/2014 11:30
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
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Kia Soul 2015
Kia Soul 2015
Kia Soul 2015

O garoto-propaganda não poderia ser mais pop: em sua visita à Coreia do Sul, o Papa Francisco foi levado de um lado para outro em um novo Kia Soul, expondo o carro para o mundo todo. Enquanto isso, a mais de 17.000 km de Seul, o crossover urbano era apresentado em São Paulo com muitas novidades que o pontífice pôde conferir.

A segunda geração do modelo — já lançada na Coreia do Sul, na Europa e nos Estados Unidos (país onde ele foi desenhado, nos estúdios da marca na Califórnia) — é um outro carro. Suas dimensões aumentaram e ele está mais equipado. A ponto de a Kia fazer uma aposta arrojada: reposicioná-lo em um patamar superior. Agora, é um modelo premium e seus concorrentes, segundo a marca, são Mercedes-Benz Classe A, Audi A1, Mini Cooper e Peugeot 3008, todos com valores acima de R$ 85.000. 

Aí é que está: com as alterações, os preços dispararam. O Soul EX (código U.257), opção de entrada do modelo, é tabelada em R$ 88.900. O EX com teto solar panorâmico (código U.258) sai por R$ 92.900. Como reagirão os donos de Soul, que terão seus carros desvalorizados, ou aqueles que tinham dinheiro contado para comprar um? Eles aceitarão — ou poderão — pagar R$ 20.000 a mais ou vão preferir, por exemplo, um Classe A? “Não houve jeito”, diz o presidente da Kia do Brasil, José Luiz Gandini. “O carro cresceu e ganhou mais tecnologia. Além disso, há o valor alto de IPI. Impossível não repassar ao preço final para fechar essa conta.”

A resposta do consumidor será dada em breve. O Soul já está chegando à rede de 142 concessionárias da Kia no país. Não se deve esperar um estouro nas vendas, até porque ele se transformou em um modelo de nicho. Hoje, os automóveis que custam na faixa de R$ 85.000 respondem por 6,80% do mercado nacional. É nessa briga que a Kia entrará. Ou seja, nunca mais terá 1.500 unidades comercializadas por mês, como no seu auge em 2011. Agora, a marca espera vender não mais do que 600 carros até o fim do ano. “Nossa tacada deverá ser certeira para conquistar o novo perfil do Soul”, afirma Ary Jorge Ribeiro, diretor de vendas da Kia. 

Com a nova engenharia empregada, a Kia diz que o Soul ganhou 28,7% em rigidez torcional, o que melhora o comportamento dinâmico e o conforto. O motor é o mesmo 1.6 16V flex, que gera 122 cv (com gasolina) e 128 cv (com etanol). Esperto na versão anterior, agora ele ganhou um trabalho extra: suportar os 105 kg que o Soul acrescentou ao seu peso (de 1.287 kg para 1.392 kg). O motorista pode optar entre três modos de direção: "confort", "normal" e "sport", selecionados por um botão no volante. 

As duas versões são muito bem equipadas. Entre os itens, destacam-se ar-condicionado digital com ionizador, câmbio automático de 6 velocidades, acabamento em couro, sistema start-stop, banco do motorista com regulagem de altura, 6 airbags, cruise control e até um filtro contra raios ultravioleta nos vidros. O sistema de som My Music possui uma tela touch screen de 4,3” e com memória de 800MB. A diferença entre os dois Soul é a presença do teto solar.  

Resta saber se as mudanças de nível e de preço atrairão os clientes. Ou se o novo Soul precisará da benção do Papa para se dar bem em um nicho tão competitivo no Brasil.

Conclusão: Eu não gostaria de estar no lugar do departamento de marketing da Kia do Brasil. Afinal, a tarefa será árdua: como convencer alguém que tenha em torno de R$ 90.000 na mão a comprar o novo Soul e não um modelo com uma imagem reconhecidamente premium? Em uma só tacada, o preço do modelo aumentou em R$ 20.000 por causa do seu reposicionamento. Ok, a segunda geração é confortável e gostosa de dirigir e está bem equipada. Mas o valor deverá ser o calcanhar de aquiles do crossover. Não seria nada fácil me persuadir a comprá-lo. 

Confira os números de teste clicando na versão abaixo. 

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