Sob pressão: reunimos as clássicas Ferrari turbo

MARCUS PETERS
Da Motorpress, com WILSON TOUME
29/12/2016 12:30
FERRARI SOB PRESSÃO: GTB, GTO, F40 e 488 GTB
GTB TURBO
GTB TURBO
GTB TURBO
GTB TURBO
GTB TURBO
GTB TURBO
288 GTO
288 GTO
288 GTO
288 GTO
288 GTO
F40
F40
F40
F40
F40
F40
F40
F40
488 GTB
488 GTB
488 GTB
488 GTB
488 GTB
488 GTB

Para os mais jovens, Ferrari pode ser sinônimo de carros superesportivos com motores grandes e de aspiração natural. Os aficionados mais experientes, em compensação, certamente se lembram da “Era Turbo” na Ferrari. Primeiro veio a 208 GTB Turbo (que depois passou a se chamar apenas GTB Turbo) em 1982, seguida pela lendária GTO em 1984 e pela espetacular F40 em 1987. Em comum, as três contavam com motores V8 turbo em posição central-traseira, e, no ano passado, a fabricante italiana retomou essa linha com a 488 GTB. Desta vez, reunimos esses quatro modelos no quintal de Helmut Eberlein, um comerciante alemão apaixonado pela marca.

Alguém pode lembrar que a California T foi a responsável pelo retorno dos motores turbo à Ferrari, mas estamos nos atendo aos modelos com motor central-traseiro.

Desnecessário dizer que se trata de uma reunião de raridades. Da GTB Turbo, por exemplo, a Ferrari produziu apenas 308 unidades – e a maioria delas foi vendida apenas na Itália. Helmut Eberlein é um homem de sorte, e conseguiu um dos poucos exemplares fora da “bota”. E ele ainda nos permitiu dar umas voltinhas com a sua joia!  

Foram produzidas apenas 308 unidades da Ferrari GTB Turbo

EXPERIÊNCIA ÚNICA!
A partida é feita do modo clássico, pela chave (partida por botão era algo restrito a carros de corrida). O ronco do motor é incrível, mas chama a atenção a potência estar disponível a apenas 6.500 rpm, fato raro na marca italiana. Saimos de maneira comportada, sem acelerar fundo.

Discrição e simplicidade marcam interior da GTB Turbo

Em segunda marcha a 2.000 rpm, o motor parece produzir um chiado. Aceleramos mais e o chiado passa para um silvo, mas não se vê sinais de potência. A 4.000 rpm o tal silvo se torna mais nervoso e seguimos pressionando o acelerador até 7.000 rpm. Então a impressão é de que os 254 cv nos atropelam.

O clássico comportamento “tudo ou nada” dos motores turbo dos anos 1980 iguala a dinâmica do pequeno GTB Turbo com a do GTO, modelo que temos à disposição graças a outro colecionador, Horst Kespohl, que possui uma das raras 272 unidades vendidas, a qual é mantida preservada com muito carinho. 

288 GTO foi lançada em 1984, com motor de 400 cv

A denominação 288, vale lembrar, diz respeito à cilindrada (2.8 litros) e ao número de cilindros do motor (oito), enquanto GTO é a sigla para Gran Turismo Omologata, já que o modelo é a versão de rua feita para homologar o bólido de competição, que disputou o Grupo B, torneio de automóveis de turismo organizado pela FISA (Federação Internacional de Automobilismo Esportivo) na década de 1980.   

Na GTO o requinte da Ferrari começava a ser maior

Devido à maior cilindrada em relação ao GTB Turbo, poder-se-ia esperar que o motor do 288 GTO exibisse um ronco mais “bravo”, mas não é o que acontece. O V8 emite um som grave e áspero, como o de um carro de competição.

Mas, diferentemente da GTB Turbo, a 288 exibe um comportamento mais controlável. O motor “enche” progressivamente ate 3.800 rpm e só então vem o golpe. Com os dois turbos à plena carga (1,2 bar), os 400 cv estampam um largo sorriso na cara do felizardo que estiver ao volante.

A mais icônica de todas: F40. Carro de passeio mais próximo das pistas

A MAIS RADICAL
O mesmo ocorre a bordo da sucessora da GTO. A diferença é que a Ferrari nunca escondeu a sua real intenção com a F40: oferecer o modelo de rua mais próximo possível de um carro de corrida. Não é à toa que a fabricante nem se preocupou com conforto ou acabamento, e, mesmo assim, foram produzidas 1.311 unidades.

Preocupação na cabine da F40 era com esportividade, não conforto

Seu motor é derivado do usado na GTO, mas isso não significa muita coisa, já que o V8 da F40 tem “personalidade” bastante distinta. São 478 cv à disposição entre 4.000 rpm e 7.000 rpm, o que poderia levar qualquer entusiasta às lágrimas (que ele enxugaria com uma das mãos, se elas não estivessem bastante ocupadas no volante).

Tudo acontece de maneira muito rápida na F40. O rugido do motor, o som dos engates da alavanca do câmbio, a movimentação insana dos indicadores do conta-giros e do velocímetro. É difícil imaginar outro automóvel que proporcione condução tão próxima à de um carro de corrida. Por conta disso, fica mais fácil entender por que a Ferrari deixou de produzir modelos com motor turbo. Até o ano passado.

Moderna 488 GTB gera brutais 670 cv de potência

A 488 GTB, com seu motor 3.9 twin turbo de incríveis 670 cv e pressão de 1,3 bar é monstruosa, mas o detalhe que mais chama a atenção nela é que, mesmo com números tão impressionantes, não se percebe qualquer atraso (turbo lag) ocasionado pela entrada do turbo em ação. 

Tecnologia e "pegada" de F1 marcam a cabine da 488 GTB

A potência e o torque (77,5 mkgf) parecem estar disponíveis desde o primeiro contato com o acelerador, dando a impressão de que qualquer motorista vai conseguir extrair o máximo do modelo. Obrigado, controle de largada! 

Por meio das borboletas junto ao volante, aciono o sistema e aguardo a contagem regressiva. Assim que o aviso sonoro dispara, basta pisar fundo no pedal da direita para o novo GTB sair rasgando pela pista. Para se ter ideia, bastam 3s para o cupê atingir os 100 km/h e em impressionantes 25s6 ele está a 300 km/h! 

Fichas técnicas das Ferrari

Esse encontro de máquinas tão fantásticas nos leva a uma reflexão. Antes, as fabricantes ofereciam muita potência, sem se preocupar com a forma como ela era disponibilizada. “Coices” repentinos devido à entrada do turbo em ação não importavam. O que contava era o tempo no qual a velocidade máxima era atingida. Hoje, felizmente, o desempenho está mais controlável. E o melhor: sem prejudicar o prazer ao dirigir, provando que, muitas vezes, você não precisa ser o primeiro para estar à frente.