Porsche Boxster volta reestilizado e turbinado

RODRIGO RIBEIRO
Da Motorpress, em São Paulo (SP)
13/07/2016 08:10
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER
PORSCHE 718 BOXSTER

A Porsche apresentou à imprensa brasileira o novo 718 Boxster, modelo "menos caro" da linha de esportivos de duas portas da marca. A discreta atualização visual veio acompanhada de uma adição no documento do carro e uma troca importante sob o capô. Ou melhor: atrás dos bancos traseiros.

Ao contrário do que ocorre no 911, o Boxster tem motor central-traseiro, o que permite uma melhor distribuição de peso. Rebatizado como 718, ele trocou o antigo motor boxer de seis cilindros por um de quatro - mesmo conceito do esportivo da década de 60 que ele passou a homenagear. As semelhanças, porém, param por aí: enquanto o primeiro Porsche 718 gerava 140 cv, o novo Boxster começa nos 300 cv, gerados pelo 2.0 turboalimentado com injeção direta acoplados obrigatoriamente ao câmbio robotizado de dupla embreagem e sete marchas PDK (o câmbio manual de seis marchas poderá ser ofertado por aqui no futuro, sob encomenda).

Quase todos os painéis da carroceria foram trocados na reestilização
Seguindo a tendência iniciada pelo 911, todo 718 agora será turbinado. A diferença é que o Boxster S usa uma turbina de geometria variável e tem 500 cm³ a mais de cilindrada. Isso permitiu um aumento considerável de potência (350 cv) e no preço. Pelo 718 Boxster a Porsche sugere o valor de R$ 368.000, enquanto o 718 Boxster S parte de R$ 466.000. Isso sem incluir os itens opcionais, que vão do comando de som no volante à opção de espelhamento Apple CarPlay no novo sistema multimídia.

JUNTO E MISTURADO
O modelo chegará aos sete concessionários da marca em tempo de conviver com a versão aspirada. "Não é uma situação que gostaríamos, mas isso abre possibilidade para nossos revendedores ofertarem o modelo anterior com desconto", afirma Leandro Rodrigues, gerente de produto da Porsche do Brasil.

É a última chance de os puristas terem um roadster da marca com motor atmosférico, já que o Cayman, também rebatizado como 718, chegará no final do ano ao Brasil com as mesmas mudanças no trem de força. Mas não há sentido em ser ludista quando o assunto é turbo: eles já se consolidaram, e isso é ótimo.

Cliente pode escolher diferentes cores para o teto de lona
O gerenciamento cada vez mais refinado no controle da turbina tornou os novos esportivos sobrealimentados mais dóceis, com o bônus do tradicional pico de torque desde quase a marcha-lenta. No caso do 718 Boxster, a "mesa" no gráfico de força começa nos 1.950 rpm e vai até 4.500 rpm. Agora esse Porsche não só ficou mais forte, como disponibiliza todo o seu desempenho a quase toda faixa de trabalho do conta-giros - que vai até 7.500 rpm, algo notável em um carro turbo.

Segundo a marca, o 718 Boxster acelera de 0 a 100 km/h em 4s9 e chega à velocidade máxima de 275 km/h. Na versão S os valores são de 4s4 e 285 km/h. Ainda é oferecido opcionalmente o pacote Sport Chrono, que inclui controle de largada e reduz o tempo de arrancada até os 100 km/h em 0s2.

MEU PORSCHE, MINHA VIDA
E tudo isso em um pacote mais acessível. Não que quase R$ 370.000 seja uma faixa de preço popular, mas é notadamente menos do que os R$ 509.000 que o 911 custa. Além de ser menos caro, o Boxster parte de um projeto com o motor "no lugar certo". Com isso, 300 cv já são mais do que os suficientes para divertir, e nem precisa ir a um autódromo para curtir tudo isso.

No test-drive realizado em um clube de golfe com as ruas fechadas, CARRO ONLINE pôde aproveitar quase tudo que o Boxster oferece. É verdade que não dá para chegar aos 200 km/h em vias públicas, mas mesmo até 120 km/h o 718 empolga. Saídas de curva podem ser feitas de pé embaixo - algo impensável em um carro turbo antigo -, e a ausência da luz do ESC piscando no painel mostra que tamanha estabilidade é fruto de um conjunto equilibrado, sem usar muletas eletrônicas.

Volante de base reta foi inspirado no do 918 Spyder
Mas elas ainda estão lá, principalmente a vedete de quem gosta de dirigir. Como o Boxster é tração traseira, porém, a vetorização de torque é menos perceptível no uso diário. Outra tendência nos modelos modernos, o ESC mais permissivo permite que até mesmo motoristas sem experiência em pista possam desfrutar de uma leve saída de traseira em acelerações, sem risco de ver o mundo ao contrário.

A maior usabilidade do Boxster em relação ao 911 também está na suspensão independente ligeiramente mais macia, propiciando passeios mais confortáveis no asfalto lunar brasileiro. Pena que nossa profusão de buracos não combina com as rodas de 19 polegadas (20" no S), levando à adoção do estepe temporário no modelo para o mercado brasileiro. Mas como só dá para levar duas pessoas no Boxster, os diminutos porta-malas de 150 l (dianteiro) e 125 l (traseiro) serão suficientes para viagens curtas.

A Porsche continua adepta da capota de lona em seus conversíveis, que ficam mais leves, mas menos harmoniosos com o teto fechado. Como o propósito de um roadster é aproveitar ao máximo o ar-livre, o 718 oferece a versatilidade de se transformar em conversível a até 50 km/h, como no rival Audi TTS. A diferença em relação ao conterrâneo está pelo melhor isolamento acústico do teto rebatível.

Capota de lona é marca registrada dos conversíveis Porsche
Em sua provável última reestilização antes de mudar de geração, o 718 Boxster continua sendo uma ótima porta de entrada para os esportivos da marca. É verdade que seu ronco não é tão vigoroso quando o de um seis-cilindros, e o visual atualizado é muito menos icônico que o 911. Mas a marca fez um bom trabalho em atualizar o modelo e ouvir boa parte dos puristas - na maioria das situações é difícil percerber até o som do turbo e a direção elétrica tem uma sensibilidade que não deve nada aos sistemas hidráulicos.

Uma minoria ainda deve torcer o nariz para os novos Porsche turbo, mas a grande maioria dos endinheirados tem agora mais uma opção de um esportivo fácil de dirigir, mais amigável ao meio-ambiente (tem até start-stop!) e com uma leve ligação com o passado.