Novo VW Golf 1.5 TSI mudou pouco, mas para melhor

HEINRICH LINGNER
Da Alemanha, com WILSON TOUME
20/04/2017 14:51

A fabricante não divulga, mas, na prática, estamos diante do primeiro VW Golf reestilizado da história. Sim, pois estamos falando do modelo que é vendido na Europa e em outros mercados ao redor do planeta (no Brasil a chegada dele ainda não foi confirmada, mas é improvável, pelo menos a curto prazo). Esqueça, portanto, a geração “quatro e meio”, lançada em 2007, já que se tratou de uma exclusividade do mercado brasileiro.

Facelift da gerção VII do Golf recebeu retoques e novo motor

Visualmente, a impressão é de que este Golf “sete e meio” mudou pouco em relação ao anterior – que foi lançado em 2012. Mas, acredite, de acordo com a VW, isso foi proposital, já que o desenho do Golf é um de seus principais predicados, e a fabricante quis transmitir a impressão de continuidade ao modelo, em vez de ruptura (o que pode ocorrer apenas na próxima mudança de geração do carro).
 
A aparência de sobriedade é reforçada pela presença dos faróis de LED, que custam 1.085 euros (de série apenas na versão Highline) e “aposentam” as luzes de xenônio. Faz mais sentido, porém, investir 2015 euros e levar o pacote completo de iluminação com LEDs, que inclui luzes de condução diurna e faróis auxiliares. Aliás, vale lembrar que o novo Golf não conta mais com lâmpadas convencionais, já que as lanternas também utilizam LEDs em todas as versões. 

Todos os Golf na Europa agora têm luzes de LED nas lanternas

Ainda na parte externa, os mais atentos perceberão mudanças nos para-choques. No traseiro, aliás, agora há saídas de escapamento falsas em algumas versões, a fim de realçar o caráter esportivo do modelo.

Avaliamos o renovado Golf na versão com o novo motor 1.5, que vai substituir o 1.4 turbo (similar ao oferecido no Brasil), que, até a conclusão desta edição, não tinha preço fixado. Mas a expectativa é que ele custe algumas centenas de euros a mais que o anterior. São ótimos 150 cv e 25,5 mkgf à disposição.

Faróis de LED podem receber luzes diurnas e auxiliares

A Volkswagen, porém, explica que o novo motor não teve apenas a cilindrada aumentada. Ele foi totalmente revisto, tanto que recebeu a denominação “Evo”. O detalhe que mais chama a atenção é o turbo de geometria variável, sistema que só a Porsche vinha utilizando há mais tempo em motores a gasolina. A VW, porém, deseja massificar o uso desse equipamento e vai lançar a versão Bluemotion do novo Golf com um motor 1.5 Evo de 130 cv. 

Tudo isso parece muito interessante, mas, e na prática, como se comporta o renovado hatch?  Bem, se você faz parte do fã-clube do motor 1.4 TSI, pode respirar aliviado. O 1.5 TSI Evo não se difere muito do anterior e seu comportamento deve agradar, principalmente nas retomadas de velocidade, no que o novo turbocompressor proporciona respostas mais rápidas.

Além das novas coras, Golf ganhou rodas e para-choques redesenhados

A unidade que avaliamos possuía câmbio manual de seis marchas, que será de série nessa versão. Em breve, os consumidores poderão optar por uma caixa robotizada de dupla embreagem e sete marchas que, de acordo com a fabricante, pode proporcionar economia de até 10% no consumo de combustível. Mas o câmbio manual vai bem no Golf. O manuseio é agradável e as trocas ocorrem sempre com rapidez e precisão. Pena que, nessa configuração, a VW deixe de oferecer alguns sistemas eletrônicos de assistência ao condutor.

Os primeiros quilômetros do nosso teste não são promissores. Há muito congestionamento e demoramos além do previsto até chegar à estrada. Uma vez na rodovia, porém, conseguimos acelerar um pouco mais e sentir o que o novo motor tem a oferecer. 

Volkswagen acertou a mão no facelift refinado do Golf VII

Basta pressionar o acelerador com um pouco mais de força, porém, para perceber que, mesmo em baixas rotações, a recuperação de velocidade ocorre rapidamente, mostrando a elasticidade que o turbo de geometria variável proporciona. Mas o melhor é que, ao manter o pé no pedal, os giros vão subindo de maneira uniforme. Como se costuma dizer, a aceleração é “lisa”. A impressão é que nenhum consumidor normal precisa de mais do que esse motor oferece.

Outro aspecto positivo é que, caso o motorista deseje, também pode adotar um padrão de condução mais tranquilo. Foi o que fizemos em seguida e o motor 1.5 TSI Evo permitiu rodar tranquilamente em sexta marcha. Muito bom! 

Acabamento ficou ainda melhor e cabine está mais hi-tech

RETOQUES INTERNOS
Não houve grandes mudanças na parte interna. O quadro de instrumentos digital (opcional) é a atração que salta aos olhos, mas a nova central multimídia Discover Pro (2.385 euros) merece ser destacada. Com uma tela de 9,2”, o sistema traz, pela primeira vez em um modelo compacto, o controle gestual, que permite comandar uma série de operações do equipamento de áudio, do telefone ou do navegador apenas por gestos. Para quem não gostar – ou ficar confuso – ainda existem botões, além da tela tátil, mas é difícil imaginar que alguém não vá se apaixonar pela nova tecnologia. De resto, a cabine não teve mudanças, e isso é bom. Afinal, o espaço continua sendo suficiente para quatro adultos e a posição de dirigir segue merecendo elogios.

Motor 1.5 TSI Evo é uma evolução da família EA211

Em suma, o VW Golf “sete e meio” traz um motor a gasolina totalmente reformulado, modernizado e mais eficiente, além de um encantador sistema de infoentretenimento e novos sistemas de assistência ao condutor. Tudo isso “embalado” por um visual levemente renovado, mas que ainda agrada e conquista consumidores. 

Quer base melhor para seguir no topo da lista dos modelos mais vendidos em diversos mercados no mundo? Tudo bem, os críticos de sempre vão argumentar que o hatch mudou pouco, mas os fãs do Golf responderão que a maioria deles não deseja uma revolução, e sim que o carro continue tão bom quanto sempre foi. Essa, pelo menos, é a explicação da Volkswagen, e foi o que ela fez com seu best-seller.

Dados de fábrica do VW Golf VII 1.5