Nissan Versa com CVT quer seduzir sem trancos

RODRIGO RIBEIRO
Da Motorpress, em São Paulo (SP)
14/06/2016 08:10

Ainda que o design do Nissan Versa não seja inspirado como o de alguns rivais, o sedã fabricado em Resende (RJ) tem bons atrativos para o segmento de compactos, como o ótimo espaço interno no banco traseiro e o vasto porta-malas. Tais atributos, porém, nem sempre compensavam a ausência de um câmbio automático, cada vez mais essencial no país e que finalmente chegou ao sedã (e, por tabela, ao March).

Visual do Versa CVT é idêntico ao da versão manual
A caixa automática CVT é única no segmento, concorrendo com os câmbios automáticos convencionais de seis (Hyundai HB20S e Chevrolet Prisma) e quatro marchas (Toyota Etios Sedan). Há ainda os robotizados de Volkswagen, Fiat e Renault, mas esse sistema acaba ficando de fora das opções para quem busca o máximo de conforto e o mínimo de trancos.

Aerofólio na cor da carroceria é exclusivo da versão Unique
Suavidade, aliás, é a principal característica do câmbio continuamente variável e uma das mais agradáveis no novo Versa. Por R$ 4.800 a mais do que a versão manual, o conjunto CVT (que não é o mesmo do Sentra) está muito bem acertado para o valente 1.6 de 111 cv da Nissan. E, junto com a novidade mecânica, a fabricante incrementou o Versa em alguns detalhes.

Sistema multimídia pode acessar Facebook e Waze
O primeiro corrige uma falha importante para um sedã que não custa menos de R$ 44.690: agora todas as versões possuem vidros elétricos traseiros de série, acompanhando direção e trio elétrico e ar-condicionado. Os pacotes SV e SL passaram a adotar o opcional Pack Plus (que agregava de banco rebatível a sistema multimídia), deixando as variantes mais recheadas (e caras). O maior reajuste foi para o Versa SL manual, que subiu R$ 9.200.

Câmbio CVT possui modo Low e permite desligar o overdrive
A topo de linha Unique também aumentou bastante e ultrapassou a barreira dos R$ 60 mil. Contudo, justiça seja feita, agora ela passa a oferecer somente câmbio CVT. E foi o mais requintado dos Versa que CARRO ONLINE levou até a pista de testes da ZF-TRW para avaliar o desempenho do novo câmbio CVT.

MONOTONIA
A boa notícia é que, apesar de ser levemente mais pesado, o Versa CVT entrega um desempenho muito próximo à versão manual. Na prova de 0 a 100 km/h, por exemplo, o câmbio automático permitiu um índice de 11s59, apenas 0s7 mais lento que o modelo de cinco marchas. E, por manter o 1.6 de 111 cv sempre em baixas rotações, o conjunto continuamente variável propiciou uma leve melhora no consumo, com 9,2 km/l de etanol no ciclo misto Peco.

Indicador de marcha é a única diferença do painel
E é justamente a característica do CVT em variar pouco as rotações que pode incomodar alguns motoristas, sobretudo em acelerações, quanto o ponteiro do conta-giros estaciona acima dos 4.000 rpm. Passada a situação de aceleração e retomada, porém, o silêncio volta a dominar a cabine. Como recebeu melhorias no isolamento acústico (por enquanto exclusivos das versões automáticas), o Versa também ficou mais silencioso, como comprovado em nossas medições.

Tabela oficial de preços da Nissan. *A versão passa a se chamar Conforto **Essas versões passam a adotar o pacote Pack Plus de série
A Nissan corrigiu a maior defasagem do seu sedã compacto em relação à concorrência, mas ainda há muitas arestas para aparar. Mesmo custando R$ 66.290, o Versa Unique não conta com itens importantes nessa faixa de preço, como controlador de velocidade e vidros elétricos do tipo um-toque para todas as portas. A qualidade aparente inferior aos concorrentes continua, e a suspensão macia pode incomodar em estradas sinuosas.



Como sedã familiar menos caro, porém, o Versa cumpre muito bem seu papel. O câmbio CVT oferece suavidade na condução urbana e demanda pouca adaptação na estrada. Seu visual e liquidez pode não superar o HB20S ou Prisma, mas a estreia da transmissão de marchas "infinitas" é bem-vinda ao consumidor que deseja cada vez menos incômodo para ele e sua família.