Jeep Compass flex anda tão bem quanto o diesel

RODRIGO RIBEIRO
Da Motorpress, em São Paulo (SP)
21/12/2016 19:00

Os três automóveis produzidos na fábrica da FCA (Fiat-Chrysler Automóveis) em Goiana (PE) compartilham centenas de peças, incluindo parte da plataforma, motor e câmbio. Fiat Toro e Jeep Renegade ainda têm em comum o “abismo” que separa o desempenho de suas versões 1.8 Flex e 2.0 turbodiesel. Não à toa, a picape ganhou uma nova opção 2.4.

Com as mesmas características, incluindo a segura -- mas pesada -- carroceria, o novo Compass poderia padecer do mesmo mal.

Desempenho da versão flex não fica muito atrás da diesel

Mas, felizmente, o modelo flex não só se equiparou à versão diesel em nossos testes, como chegou a superá-la. Na aceleração de 0 a 100 km/h o Compass com etanol foi apenas 0s62 mais lento, mas superou o “irmão turbo” em quase todas as outras provas, incluindo retomada. E olha que ele usa um câmbio automático de seis marchas, contra a caixa de nove do diesel.

Não há uma justificativa para esse desempenho, e, sim, 176. Essa é a diferença de peso, em quilos, entre a versão Compass Longitude Flex e a diesel. Além de o trem de força ser mais pesado, o turbo precisa carregar um pesado sistema de tração integral.

A traseira conta com grandes lanternas e as rodas são aro 18

Com menos peso nas costas, o Compass Flex entrega um desempenho mais do que suficiente para o uso urbano e rodoviário, ajudado pelo bom casamento com o câmbio Aisin. Como sua versão Sport parte de R$ 99.990 (R$ 33 mil a menos que a diesel mais em conta, a Longitude, que custa R$ 106.990, e R$ 53 mil mais barata que a top Trailhawk, a R$ 146.990), fica fácil entender por que a Jeep espera que esse motor responda por 70% das vendas do Compass.

A versão Longitude avaliada custa R$ 96.990 e inclui ar-condicionado de duas zonas, chave presencial, rodas de 18” polegadas e central multimídia com tela de 8,4 polegadas. Mas adicionar cinco airbags extras, sensores de chuva e crepuscular e som premium com subwoofer custa mais R$ 6.500.

Motor 2.0 é feito de alumínio e dispensa gasolina das partidas a frio

Ou seja, mesmo com os opcionais, o Jeep Compass Flex é mais barato, equipado e rápido do que a versão a diesel. Então, qual é a vantagem de optar pelo modelo mais caro, caso exista alguma?

Emilio Camanzi avalia o Jeep Compass diesel:

É natural que o consumo de combustível de um modelo a diesel seja melhor, mas, no novo Compass, as diferenças são enormes. Em nosso ciclo urbano, o flex registrou 5,5 km/litro, enquanto o turbo marcou 9,4 km/litro. Nas médias rodoviárias, a diferença foi ainda maior. Como o tanque de 60 litros é o mesmo para os dois, o Compass a diesel tem mais autonomia: 708 km, enquanto o Flex não passa dos 408 km.

Interior repete diversos elementos do Renegade

A Jeep até tentou deixar o Compass mais econômico, abaixando a carroceria e colocando um para-choque maior – o que reduziu o ângulo de entrada em 12,5º e faz com que ele raspe a saia inferior com facilidade surpreendente.

Mesmo com tudo isso, é mais fácil justificar a compra de um Jeep Compass Flex em vez do modelo turbodiesel, ao contrário do que ocorre com seus “irmãos” de plataforma.

NOSSAS MEDIÇÕES:

Aceleração em segundos
  0-40 km/h (m)   2,88 (17,89)
  0-60 km/h (m)   5,08 (48,67)
  0-80 km/h (m)   7,79 (101,96)
  0-100 km/h (m)   11,62 (197,96)
  0-120 km/h (m)   15,86 (327,57)
  0-140 km/h (m)   22,69 (575,39)
  0-160 km/h (m)   31,46 (940,98)
  0-180 km/h (m)   não atingida
  0-200 km/h (m)   não atingida
  0-400 m (km/h)   17,96 (126,8)
  0-1000 m (km/h)   32,77 (162,1)
Retomada
  40-100 km/h em Drive   9,12
  60-120 km/h em Drive   11,39
  80-120 km/h em Drive   7,75