Etios surpreende na disputa com HB20S Turbo

HECTOR VIEIRA
Da Motorpress, em São Paulo (SP)
27/07/2016 10:50
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5 VS. HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5 VS. HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5 VS. HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5 VS. HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
HYUNDAI HB20S 1.0 TURBO
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5
TOYOTA ETIOS SEDÃ 1.5

Dizer que os motores turbo estão se popularizando não é novidade. E se antes isso era restrito a veículos maiores (e mais caros), a chegada do Volkswagen up! TSI marcou o início do uso da superalimentação como alternativa para alcançar as metas de eficiência energética do programa Inovar-Auto, além de permitir obter mais potência de motores menores. De quebra, a adoção do turbo atualmente vem acompanhada de avanços tecnológicos notáveis nos motores.

Mesmo assim, há quem prefira investir em soluções aparentemente mais convencionais para atingir o mesmo objetivo. E é justamente esse confronto de receitas que apresentamos neste comparativo entre Hyundai HB20S 1.0 Turbo e Toyota Etios Sedã 1.5.

Começando pelo Hyundai, a fabricante garantiu o pioneirismo no uso do turbo entre os sedãs pequenos com o lançamento da linha 2016 do HB20S equipada com o já conhecido motor Kappa 1.0 superalimentado.

Hyundai HB20S 1.0 Turbo na versão Comfort Style

O propulsor é o mesmo das versões "convencionais" do HB20S, com bloco e cabeçote de alumínio e comando de válvulas duplo e variável na admissão. A partir daí, todas as novidades foram adaptadas para a adoção do turbo.
 
O turbocompressor é de geometria fixa e feito de liga de níquel. Sua rotação máxima é de 230.000 rpm e a pressão de trabalho é de 0,9 bar. O conjunto conta com válvulas de controle de pressão e de alívio do compressor eletrônicas, o que otimiza o controle dos gases e do funcionamento do turbo de maneira mais “inteligente” do que com sistemas mecânicos.
    
O sistema de arrefecimento do ar comprimido é feito por um trocador de calor (intercooler) do tipo ar-ar, mais comum e que depende da velocidade do carro para melhorar sua eficiência. Ainda assim, a Hyundai  garante que o ar (que pode chegar a 100 °C ao ser comprimido) resfria-se a 30 ºC ao passar no trocador de calor.

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Galeria de fotos do Etios 1.5 na carroceria hatch

Outra solução mais simples escolhida pela Hyundai foi o sistema de injeção de combustível no coletor, em vez da direta, como usado por alguns rivais também superalimentados. Em tese, a injeção direta contribuiria para reduzir ainda mais o consumo e aumentar a eficiência do motor. Em compensação, seria bem mais caro.

Independentemente disso, os avanços incorporados permitem ao motor Kappa 1.0 turbo produzir 31% mais potência e 47% mais torque em relação ao convencional. Isso também obrigou a Hyundai a adotar coxins maiores e mais resistentes para suportar os esforços adicionais. 

Identificação do motor turbo é um emblema na traseira do sedã

A Toyota preferiu seguir outro caminho e não modificou drasticamente a família de motores usada em sua linha de compactos Etios, batizada de NR. O investimento maior, de R$ 580 milhões, foi usado para construir a fábrica onde os motores passaram a ser produzidos, em Porto Feliz, SP. Mas, mesmo adotando alterações pontuais, a fabricante conseguiu melhorias importantes.

Algumas dessas mudanças você já viu em nossa edição anterior, no teste do Etios hatch 1.5. Trata-se do aprimoramento na atuação das válvulas, passou a alavancas roletadas com compensação hidráulica da folga, e variador de fase também no escapamento, mantendo o acionamento dos comandos por corrente. A taxa de compressão do motor subiu de 12:1 para 13:1 e, ao contrário do HB20S turbo, o Etios dispensa o uso de gasolina nas partidas a frio, o que também foi aprimorado. Em comum com o motor do rival sul-coreano, o bloco e o cabeçote do 1.5 nacional são feitos de alumínio.

CONFORTO EQUILIBRADO
Embora as estratégias de Hyundai e Toyota sejam distintas, em nossa pista de testes o desempenho dos dois carros não ficou distante. Na verdade, os números podem até surpreender aqueles que imaginavam que o carro com motor turbo superaria o de aspiração natural facilmente. O que se viu aqui foi uma disputa bastante equilibrada. 

Kappa 1.0 turbo não é expoente em tecnologia, mas garante eficiência

Na prova de aceleração de 0 a 100 km/h, por exemplo, o Toyota Etios se saiu ligeiramente mais rápido do que o HB20S, registrando 10s11 contra 10s69. E a vantagem do japonês aumentou na hora de ir até 120 km/h: 13s99 contra 15s52. 

A situação se inverteu na hora das retomadas. Nesse caso, a vantagem da superalimentação se mostrou insuperável e chegou a superar quatro segundos em favor do Hyundai no teste para retomar de 60 km/h a 120 km/h em quarta marcha.

O embate permaneceu parelho na hora de parar. Enquanto o HB20S precisou de menos espaço para frear completamente vindo a 100 km/h (40,19 m contra 40,30 m), a diferença entre a pior e a melhor frenagens do Etios no teste de fading com o veículo carregado foi 1,06 m menor que a registrada pelo concorrente.

Quanto ao consumo de combustível – a principal razão para as atualizações dos motores 1.0 Kappa e 1.5 NR –, a aposta da Hyundai no turbocompressor deixou o HB20S 8% mais econômico (com etanol) do que o Etios. Na cidade, o sedã com motor turbo registrou 8,6 km/l frente aos 8,2 km/l do concorrente. Na estrada, a vantagem do Hyundai foi ainda maior: 12,3 contra 11 km/l. Considerando a capacidade do tanque de combustível dos dois modelos, o Hyundai conta com autonomia de 510 km, enquanto o Toyota pode rodar até 423 km sem reabastecer.

Ou seja, em termos de eficiência na pista, a estratégia da Hyundai comprovou sua eficácia ao atribuir ao HB20S um nível de desempenho muito próximo ao do Etios, sem abrir mão de sua proposta de ser econômico. O Toyota, por outro lado, surpreende por possuir um motor significativamente maior que o do rival, sem que isso prejudique o bolso do consumidor na hora de abastecer.

Toyota Etios Sedã 1.5 na versão de topo, a XLS

COMPORTAMENTOS DISTINTOS
Mas se no desempenho os dois modelos conseguem se equiparar, a coisa muda de figura na hora em que se analisa a maneira como cada modelo o entrega ao condutor. Como é característica dos modernos motores turbo, a entrega do pico de torque do HB20S ocorre já nas faixas mais baixas de rotação. O torque máximo de 15 kgfm está disponível já a partir de 1.550 rpm (o pico de 105 cv é atingido a 6.000 rpm). 

Apesar disso, ainda é possível perceber uma pequena demora na resposta do motor (turbolag) ao conduzir o Hyundai, suficiente para tornar o comportamento do três-volumes da Hyundai menos prazeroso que o do Toyota, ainda mais para quem busca conforto. É questão de se acostumar, mas, mesmo assim, o Etios mostrou-se bem mais fácil (e cômodo) de ser conduzido – principalmente no trânsito.

O sedã da marca japonesa entrega o torque de 14,7 kgfm e os 107 cv (cujos picos ocorrem a 4.000 rpm e 5.600 rpm, respectivamente) de maneira mais linear. Assim, o Etios se mostra bem mais agradável de ser dirigido, ainda mais nas situações de anda e para dos congestionamentos.

Além da entrega do torque mais linear e da embreagem mais leve, as relações de marchas são outros ingredientes nesta análise. As duas primeiras marchas do Etios são consideravelmente mais longas do que as do HB20S, mas, na prática, o sedã com motor 1.5 exibiu elasticidade suficiente para embalar, mesmo em baixas rotações, como o seu concorrente. 

Versão mais completa do Etios parte de R$ 56.950

O CONFORTO FAZ A DIFERENÇA
Outro aspecto no qual o Etios merece destaque é o conforto que a sua cabine proporciona. Em nossa atribuição de notas, o conjunto carroceria, que inclui quesitos como medidas internas, sensação de espaço e porta-malas, foi o responsável pela maior diferença registrada entre esses dois sedãs compactos de origem oriental.

O interior do Etios, por exemplo, é 32 cm maior que o do HB20S. E a sensação de espaço transmite a impressão de que o aproveitamento da cabine do Toyota é ainda melhor, já que, mesmo sendo um compacto, o modelo consegue abrigar até três adultos no banco de trás com conforto satisfatório.

O porta-malas também proporciona vantagem interessante ao Etios. Com capacidade para abrigar 562 litros de bagagem, ele oferece espaço superior em mais de 100 litros na comparação com o três-volumes rival. 

A resposta do HB20S surge ao se analisar a sua lista de equipamentos de série. Embora o quadro de instrumentos digital e a direção com assistência elétrica sejam itens exclusivos do Etios, o Hyundai oferece volante com ajustes de altura e distância, além de banco do motorista com regulagem de altura, o que facilita bastante encontrar a posição ideal de dirigir. Além disso, o Hyundai traz travas com acionamento elétrico automático acima de 20 km/h, algo que o seu rival fica devendo, mesmo em sua configuranção mais cara. De resto, ambos contam com ar-condicionado, retrovisores externos com ajuste elétrico, faróis auxiliares, sistema de áudio com entrada USB e conexão Bluetooth, além de sistema Isofix para fixação de cadeiras para transporte de crianças no banco de trás.

Motor aspirado do Etios ganhou mais potência e torque na linha 2017

XEQUE-MATE NA MANUTENÇÃO
Com relação aos custos de manutenção dos dois sedãs, o Hyundai HB20S consegue ser mais vantajoso que o Toyota Etios Sedã em três dos cinco quesitos que analisamos em nossa tabela de pontuação. Começando pela garantia, já que a marca sul-coreana aposta há algum tempo em oferecer uma condição mais favorável que a de suas concorrentes: são cinco anos de garantia para o HB20S contra três oferecidos pela Toyota aos donos de Etios. 

Por ser mais barato, o HB20S também leva vantagem na hora de pagar o IPVA. Mas é na cotação do seguro, surpreendentemente, que o modelo da Hyundai exibe maior vantagem sobre o rival. Ainda que os carros com motor turbo sejam prejudicados atualmente pelo estigma de oferecerem "risco maior" às seguradoras, a cotação do Hyundai é mais barata do que a do Etios: R$ 2.165 ante R$ 2.804. 

O jogo vira em favor do Toyota quando o assunto é manutenção. Em nossa cesta básica de peças, o Etios é mais atraente neste quesito. O jogo de velas do HB20S turbo, por exemplo custa R$ 276. O preço alto é justificado pelo tipo de material que a peça é feita (irídio) e que permite maior durabilidade (neste caso, a troca deve ser feita a cada 70.000 km). As velas comuns do Etios saem por R$ 112. As pastilhas de freio dianteiras do Hyundai também prejudicam o sedã: o par custa R$ 427.  

No final das contas, ainda que o Hyundai HB20S Turbo exiba muitas qualidades, o Toyota Etios Sedã levou a melhor nesta disputa graças, principalmente, à sua polivalência.

Teste completo na revista CARRO #273

VEREDICTO
Os carros que disputam o segmento dos sedãs pequenos devem atender a uma série de exigências de seu público. Deles, esperam-se praticidade, espaço e funcionalidade para acomodar a família (além de bagagem), baixo consumo de combustível, bom desempenho em viagens e custo de manutenção acessível. Entre os dois modelos reunidos aqui, o Etios Sedã é o que atende a essas necessidades de maneira mais eficiente, oferecendo um conjunto mais harmonioso, sobretudo em termos de desempenho e conforto. O HB20S 1.0 Turbo não deve ser descartado, principalmente pelo visual. Mas, ao escolhê-lo, o consumidor terá de abrir mão de algumas vantagens, como o espaço interno maior e os custos de manutenção mais acessíveis do Toyota.