BMW X1 alemão chega ao Brasil com vida curta

RODRIGO RIBEIRO
Da CARRO, em São Paulo (SP)
03/02/2016 11:20
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive
BMW X1 20i S-Drive

Apesar de ter iniciado as pré-vendas do modelo ainda em 2015, somente agora a BMW apresentou à imprensa a segunda geração do X1. O SUV chega às revendas em três versões: 20i GP (R$ 166.950), 20i X-Line (R$ 179.950) e 25i (R$ 199.950). Todos os modelos usam um 2.0 turbo com câmbio automático de oito marchas, sendo calibrado para 192 cv nas versões 20i e 231 cv na topo de linha 25i. O conjunto mecânico, porém, agora adota a tração, ao invés da propulsão - característica dos modelos BMW.

BMW X1 20i S-Drive

O X1 é o segundo modelo da marca a usar as rodas dianteiras para se movimentar e repete a plataforma modular que estreou no pioneiro Série 2 ActiveTourer. No 25i, porém, o sistema é integral sob demanda, podendo enviar até 40% da força ao eixo traseiro. Outra diferença está no retrocesso do motor, que voltou a consumir somente gasolina. O motivo é que a BMW optou por importar as primeiras unidades do novo X1, que substituiu o modelo anterior flex montado em Araquari (SC). A marca afirmou que a produção da segunda geração está prevista para o mês que vem, adotando novamente o propulsor bicombustível, sem mudança nos preços. Ou seja: quem levar para casa o lote de X1 importado pode ter um potencial mico em sua garagem, já que, segundo a própria marca, muitos clientes fazem questão do sistema flex.

A única virtude do novo X1 diante de seu futuro herdeiro nacional é o funcionamento do start-stop. O sistema que desliga o motor durante paradas fica inoperante quando o BMW queima etanol. O motivo, de acordo com Emílio Paganoni, gerente de treinamento da BMW, está na deficiência do lubrificante em motores turbo com o biocombustível. A restrição (inexistente nas rivais Audi e Mercedes) ocorre em todos os BMW flex e será mantida no novo X1 nacional.

SUV de verdade
Pormenores técnicos à parte, o novo BMW pouco lembra o "hatch gigante" que virou figurinha fácil na garagem dos recém-endinheirados. A carroceria ficou mais encorpada, pesada e deu mais atenção aos seus passageiros, sobretudo os que vão atrás. Agora é possível levar com conforto digno de Audi Q3 quatro adultos - o quinto, como é de praxe na maioria dos carros com opção de propulsão ou tração integral, sofre com o túnel central elevado e o assento mais alto e duro no meio.

Nova geração deixou o modelo com mais cara de SUV
O acabamento manteve a combinação de materiais emborrachados e escuros típicos dos BMW. Mimos como luzes entre partes do painel e das portas dão um ar mais luxuoso à cabine, mas o sistema multimídia com acesso à internet (via celular) segue sem tela sensível ao toque, rebatimento elétrico ou espelhamento para smartphones. Controlador de velocidade adaptativo, frenagem autônoma e HUD (head-up display), que equipam o modelo na Europa, também não serão oferecidos no Brasil.

Não que o X1 não seja bem equipado: além do "básico", com seis airbags, ESC e ar-condicionado digital de duas zonas, ele vem com faróis Full-LED de série - mas sem o facho alto automático. Teto-solar panorâmico, abertura elétrica do porta-malas e bancos elétricos equipam a versão intermediária X-Line, enquanto a 25i adiciona sistema de som premium, além da potência extra e sistema de tração integral.

A meta da BMW é vender até 250 unidades por mês, sendo 85% com motor de 192 cv. E essa foi a primeira versão avaliada por CARRO Online em um circuito misto em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. O test-drive incluiu áreas congestionadas e trechos sem asfalto, onde o X1 manteve o fôlego que se espera de um SUV compacto-médio. No modo Comfort (há ainda o Sport e EcoPro, focado na redução do consumo de gasolina), o trem de força e direção entregam um conjunto capaz de lidar com ultrapassagens e retomadas com facilidade.


Não há a disposição de um Volkswagen Tiguan, mas a suspensão independente oferece um rodar mais confortável. O tempo de resposta do acelerador poderia ser mais rápido, mas o motorista típico desse carro não espera o desempenho de um Série 1. Pelo mesmo motivo, a inclinação excessiva da carroceria em curvas e a tendência ao sobreesterço em mudanças repentinas de direção em velocidades elevadas não são exatamente um problema neste segmento.

Por dentro, acabamento segue o estilo refinado da marca
O 25i, avaliado no mesmo trecho, oferece mais fôlego, sobretudo em acelerações intensas. No dia-a-dia a diferença não é tanta, o que talvez explica a baixa participação que a versão terá nas vendas no modelo. O destaque negativo do X1 25i fica pela pane no sistema de ar-condicionado da unidade avaliada, que parou de refrigerar a cabine sem motivo aparente. Segundo a BMW, a falha ocorreu após um vazamento em uma das mangueiras do sistema, possivelmente por atrito com uma pedra ou outro objeto durante o trecho de off-road leve do test-drive..

O novo X1 ficou mais confortável, potente (nas versões 20i) e ganhou um visual "SUV" de verdade. Seu desempenho fica aquém do rival Q3, mas ele está longe de ser uma opção ruim para quem está de olho em um utilitário compacto-médio mais luxuoso. O maior senão fica pela monogamia de combustível do X1 atual: se você se interessou em um, vale esperar um mês para comprar a versão nacional bicombustível.