Stelvio pode fazer história na Alfa Romeo; guiamos

DIRK GULDE
Da Alemanha, com WILSON TOUME
10/04/2017 13:54

Passo dello Selvio é o nome de uma abertura entre montanhas localizada na Itália, e a estrada que cruza esse passo é conhecida por suas 60 curvas que contornam os Alpes Orientais. Trata-se da estrada asfaltada situada na maior altitude daquela região, a 2.757 metros, e avançar por ela exige muito esforço, seja do homem ou de uma máquina.

Alfa Romeo Stelvio Super 2.2D

Talvez seja só coincidência, mas o fato é que a Alfa Romeo também terá uma missão duríssima pela frente com o seu primeiro SUV, o Stelvio. Afinal, além de chegar atrasada ao segmento que mais cresce em todo o mundo nos últimos anos, a fabricante italiana ainda precisa superar a desconfiança de seus apaixonados fãs. 

Então, como contentar aficionados e, ao mesmo tempo, atrair novos consumidores com um modelo totalmente novo na história da marca? Manter a filosofia e privilegiar a esportividade ou partir para uma nova receita?

Visual marcante italiano torna o Stelvio um dos mais belos SUVs
 A resposta pode ser nenhuma das alternativas anteriores, apenas construa um bom automóvel. Um modelo como o Stelvio, que não tenta convencer ninguém a ser diferente, mas que surpreende por suas qualidades. Com 4,69 m de comprimento, ele se mostra mais adequado ao uso urbano e deve ter no Audi Q5 e no BMW X3 os seus principais concorrentes.

O banco do motorista é muito confortável e possui diversos ajustes – incluindo apoio lombar. Apesar do motor montado longitudinalmente, o espaço na cabine é mais do que satisfatório. A posição de motorista e passageiro dianteiro é bastante agradável e proporciona excelente visibilidade. Por falar nisso, em relação ao Giulia (com o qual o Stelvio compartilha plataforma), os ocupantes do SUV viajam em posição 19 cm mais alta, o que também facilita o acesso ao carro.  

Versão com motor diesel 2.2 possui 210 cv de potência

O banco traseiro, em compensação, é apenas razoável e oferece conforto para dois adultos. A parte central estreita e que pode ser rebatida (permitindo a acomodação de objetos mais longos no bagageiro, como esquis, por exemplo) deixa isso claro. O porta-malas, aliás, é amplo e pode ser expandido dobrando-se os bancos, criando uma superfície quase plana. A tampa possui acionamento elétrico opcional.

MATERIAL MAIS RESISTENTE 
Outro aspecto no qual o Stelvio agrada é a impressão de qualidade. Além de o material utilizado no acabamento transmitir sensação de qualidade superior, percebe-se que a Alfa teve cuidado redobrado com os detalhes. Desde o plástico com toque macio no painel até o revestimento aveludado no compartimento para moedas sob o volante, tudo contribui para isso. 

O item que pode ser alvo de críticas é a central multimídia, que não oferece a mesmo funcionalidade e nem é tão intuitivo quanto os de Audi e BMW, atuais referências no segmento. Faz falta, principalmente, um navegador com informações de trânsito em tempo real, o que é especialmente desejável para um automóvel projetado para circular na maior parte do tempo em trânsito urbano. A Alfa Romeo precisa resolver essa falha. Mas na pista de testes de Balocco, felizmente, não há  congestionamentos com que se preocupar.

Cabine do Stelvio mistura elementos de luxo com esportividade

Em compensação, a pista de testes da Alfa possui muitas curvas e vários tipos de piso, que nos permitiu perceber que o Stelvio com rodas de 20” e pneus de perfil 45 deve sofrer nos trechos com asfalto mais castigado. Mas em asfalto de boa qualidade, a estabilidade se mostrou exemplar, com o carro exibindo ótima comunicação entre o contato das rodas com o piso e o volante.
 
Rodando em condições normais, o SUV da Alfa possui tração 100% traseira, mas em condições de baixa aderência do piso ou situações específicas, até 50% da potência é transferida para as rodas dianteiras.

Nossa avaliação foi feita com a versão 2.2 turbodiesel de 210 cv, tração integral e câmbio automático de oito marchas. Há outra, com motor a gasolina (também turbo) de 280 cv, que, segundo a fabricante, deverá ser a mais vendida. Independentemente disso, uma coisa é certa: depois de avaliarem o Stelvio, os engenheiros da Alfa desistiram de lançar a versão station do Giulia, pois acreditam que o SUV também atende os consumidores de veículos familiares.

Bancos revestidos de couro "abraçam" bem os ocupantes

SUV OU ESPORTIVO?
O Stelvio não exibe o comportamento típico dos SUVs de seu porte, embora a unidade avaliada tenha apresentado alguns ruídos de suspensão mais elevados do que o esperado. Em compensação, a carroceria mostrou pouca inclinação, mesmo em curvas mais rápidas. Nessa condição, aliás, o modelo demonstrou a esperada tendência de escapar de traseira que o controle de estabilidade trata de corrigir rapidamente. 

O motor turbodiesel agradou pelas respostas rápidas e pela boa entrega de potência e torque desde as rotações mais baixas. Da mesma forma, o câmbio de oito marchas da marca ZF impressionou pelas trocas suaves e precisas. Para quem desejar se sentir “piloto”, o Stelvio oferece borboletas junto ao volante, mas elas têm dimensões exageradas e são fixas (não acompanham o movimento do volante) e estão posicionadas um pouco além do ideal, o que prejudica o acionamento, especialmente em trechos sinuosos.

Ficha técnica do Alfa Romeo Stelvio Super 2.2D

Outro aspecto que deve ser corrigido no utilitário é a posição da câmera de ré, logo acima da placa. Embora ofereça boa visibilidade em condições normais, a lente suja com muita facilidade, além de ficar exposta à chuva. 

Concluindo, o Alfa Romeo Stelvio agrada por não exibir nenhum dos problemas típicos dos modelos similares. A carroceria 22 cm mais alta que a do Giulia não gera instabilidade, mas proporciona melhor visibilidade à frente, o que agrada aos fãs de SUVs. A suspensão é mais dura, mas o carro não chega a ser desconfortável em relação os rivais, enquanto os freios são eficientes e fáceis de ser modulados.
 
Agora é aguardar pela versão Quadrifoglio, mais esportiva, que terá motor V6 de 510 cv e promete ser ainda mais divertida de dirigir. E olha que estamos falando do SUV “menos SUV” dos últimos tempos!