Um bicão entre os japoneses

Motorpress
Da Redação, em São Paulo (SP)
30/09/2013 12:12
Comparativo Citroën C4 Lounge x Honda Civic x Toyota Corolla
Comparativo Citroën C4 Lounge x Honda Civic x Toyota Corolla
Citroën C4 Lounge
Honda Civic
Toyota Corolla
Comparativo Citroën C4 Lounge x Honda Civic x Toyota Corolla
Toyota Corolla
Honda Civic
Citroën C4 Lounge
Toyota Corolla
Honda Civic
Citroën C4 Lounge
Citroën C4 Lounge
Toyota Corolla
Honda Civic

Citroën C4 Lounge 2.0i Exclusive

Citroën C4 Lounge: É tabelado em R$ 72.490 na versão Exclusive 2.0 automática. Por quê? É a novidade do segmento e precisa mostrar seu valor frente aos modelos que são referência na categoria.

Honda Civic 2.0 LXR

Honda Civic LXR: É a opção mais acessível do Civic 2.0 automático. Nas lojas por R$ 74.490. Por quê? Ganhou motor 2.0 há pouco tempo, em especial para enfrentar o Corolla. Lidera as vendas entre os sedãs médios.

Toyota Corolla XEi

Toyota Corolla XEI: Pode ser encontrado com um bom desconto, mas na tabela parte de R$ 75.620. É a versão mais procurada. Por quê? É um dos modelos mais consagrados no mundo, assim como o Civic. A nova geração deve estrear no próximo ano.

 

É até engraçado ver o que anos de concorrência acirrada são capazes de fazer. Quando você compara os dados técnicos e de desempenho (aferidos pela Carro) do Toyota Corolla XEi e do Honda Civic LXR é impressionante como eles estão próximos. Um não deve em nada para o outro.

Resultados de frenagem? Praticamente um empate. Média de ruído interno? De novo, ambos se equivalem. Autonomia? Tanto o Civic quanto o Corolla podem percorrer os mesmos 456 km com um tanque de etanol. Até na cilindrada dos motores eles são iguais!

Menor no comprimento, o C4 Lounge é mais proporcional nas formas em relação ao Pallas

Civic e Corolla são modelos experientes e contam com um rico legado de nove gerações no caso do Honda e dez no do Toyota. Nenhum modelo dura tanto tempo do mercado por acaso. O Corolla, aliás, é o automóvel mais vendido do mundo, de acordo com alguns rankings.

No Brasil não é diferente. Civic e Corolla se alternam, com muita folga, na liderança em vendas no segmento dos sedãs médios. É um ou outro.

Achar o segredo desses dois modelos é o que todas as concorrentes querem, por isso é sempre bom ficar de olho neles. Por seu sucesso comercial, eles são a referência no mercado.

A partir deste mês, quem pretende pelo menos arranhar o pedestal da dupla Civic e Corolla é a Citroën com a chegada do C4 Lounge.

Pensado para mercados emergentes, que têm na predileção por sedãs um traço em comum, o novo Citroën mostra-se bem mais equilibrado em relação ao extinto C4 Pallas.

Sai o porta-malas pronunciado do antecessor e entra uma carroceria mais proporcional. Alguns podem reclamar que, para um Citroën, ele pode ser comedido demais na estética. Falta aquela “surpresa” que os franceses sabem fazer tão bem, como o para-brisa panorâmico do C3, por exemplo. Aliás, o design como um todo do modelo está longe de apostar em traços ousados.

O porta-malas do Corolla é o maior dos três, porém o espaço interno é melhor aproveitado no Civic

Quando você entra no C4 Lounge, a sensação de conservadorismo aumenta. Lembra do volante com cubo fixo do C4 Pallas, o painel digital central e o perfumador de ambiente? Pois é, tudo se foi no Lounge... Seria uma demanda dos clientes do segmento? É bem possível que sim, mas fato é que esses recursos no Pallas serviam como um diferencial no meio de tanta hegemonia.

Mas não entendam isso como uma crítica só ao C4 Lounge. Lembra daquele papo de observar os líderes? Civic e Corolla também não são exemplos do que há de mais arrojado em termos de design e habitáculo. Ao menos nesse aspecto o Honda tenta se diferenciar com o painel em dois níveis e o excelente assoalho traseiro plano, o que melhora muito o espaço para os passageiros atrás.

Por falar em espaço, esse é um ponto em que o Corolla já mostra como anseia pela nova geração. A bordo do Civic e do C4 Lounge, é notória a maior sensação de espaço em relação ao Toyota, apesar da soma das medidas internas equivalentes.

Uma pena é o túnel central muito elevado no C4, uma vez que ele oferece o maior espaço para as pernas dos ocupantes no banco traseiro.

No acabamento interno em geral, os três se equivalem. A montagem e o encontro das peças plásticas demonstra cuidado, sendo que todos contam com revestimento interno de couro nas versões reunidas para este comparativo.

As diferenças pontuais ocorrem nos equipamentos de série. Aqui o C4 Lounge em sua versão Exclusive mostra-se mais vantajoso frente a Corolla XEi e Civic LXR. Além de ser mais barato, o Citroën conta com ESP, sistema keyless para abertura das portas, partida por botão e 6 airbags (dianteiros, laterais e de cortina).

O Corolla tem a vantagem da central multimídia com navegador integrado, mas é o único equipamento que traz a mais em relação ao Citroën. O Civic até que se esforça com a câmera de ré (presente no Corolla e ausente no C4), mas conta somente com as bolsas infláveis para motorista e passageiro. Quer ter GPS, controle de estabilidade, airbags laterais (de série no Corolla) no Civic? Então se prepare para ter que gastar R$ 9 500 a mais e partir para a versão topo de linha EXR. Ao menos você leva também o teto solar.

Com relação ao porta-malas, os três oferecem compartimentos com capacidade na casa dos 450 l, com uma ligeira vantagem para o Corolla (470 l). Nesse ponto não há do que reclamar. Além disso, os três permitem rebater o banco traseiro, aumentando a praticidade para acomodar objetos maiores, como uma bicicleta, por exemplo. Os donos do extinto C4 Pallas, contudo, poderão sentir falta do “galpão” para 513 litros.

Se perdeu o “portamalão”, ao menos os dois parentes são bem próximos nas respostas dinâmicas. Na comparação entre o Pallas e o Lounge, o entre-eixos é praticamente o mesmo (apenas 2 mm mais curto na novidade), sendo que a maior redução mesmo ocorreu no comprimento (15 cm). Fato é que o Lounge se mantém fiel à essência que já encontrávamos no Pallas: eles estão longe de entregar qualquer esportividade. Seu foco é no conforto.

A personalidade oposta é o Civic. Basta você assumir o banco dianteiro esquerdo  e sentir o volante propositalmente mais compacto deste Honda para você já esboçar um leve sorriso no rosto. O bom é que o Civic é coerente: sua direção tem respostas rápidas, as borboletas no volante permitem uma tocada mais esportiva e a suspensão o brinda com uma dirigibilidade estável e sem sustos.

Falei em suspensão? Então aqui vai uma observação importante. A equipe que trabalhou no conjunto do Citroën, em especial no eixo traseiro (e olha que ele nem tem a sofisticação do multibraço adotado no Civic), merece uma salva de palmas com toda a plateia de pé. É impressionante como o C4 filtra bem as irregularidades do piso e sua carroceria se movimenta de forma equilibrada nas curvas. Sem exagero: ele é um dos melhores sedãs médios nesse ponto até o momento.

Já o Corolla, em termos de manuseio, está mais para o Citroën do que o Honda. Em ambos, as respostas do carro aos comandos do volante não são tão rápidas. Mesmo assim, com as borboletas junto ao volante o Corolla busca transmitir uma ideia de esportividade nesta versão. Sua suspensão é a personificação da eficiência: é um conjunto de concepção simples, assim como no C4 Lounge, mas nem por isso deixa de cumprir muito bem a função a que se presta.

Só um ponto em que leva tempo para você se acostumar é a posição de dirigir no C4 Lounge. Se a regulagem de distância do volante (recurso disponível nos três) contasse com alguns centímetros a mais no curso ajudaria bastante. No Civic e no Corolla, esse trabalho é mais intuitivo. Você entra em um deles e não demora muito para encontrar os ajustes ideais, em especial no Honda. Também no Civic os bancos dianteiros com seus amplos encostos são dignos de elogios pelo conforto que proporcionam.

Os motores 2.0 utilizados em cada um deles, todos flex, são equivalentes no que entregam em termos de potência e torque, mas curioso é o que ocorre no C4 Lounge. Seu câmbio oferece o maior número de marchas (6 contra 5 do Civic e 4 do Corolla), logo, ao menos teoricamente, ele deveria entregar o melhor equilíbrio entre desempenho e consumo, certo? Em termos, pois não foi isso o que ocorreu em nossos testes.

Na aceleração, o Corolla foi o mais rápido, seguido de perto pelo Civic. A diferença não foi muito grande, mas o Toyota chegou a colocar, em alguns casos, mais de 1 segundo de vantagem sobre o Citroën.

No consumo de etanol, os três foram equivalentes. O Civic mostrou-se o mais comedido, logo após aparece o C4 e, em seguida, o Corolla. Sobre esse assunto vale a pena citar o modo Econ presente no Honda. Quando acionado por meio de um botão no painel, ele busca otimizar o sistema de injeção, funcionamento do ar-condicionado e cruise control (se ativado), buscando economizar o máximo possível de combustível.

Voltando ao comportamento do câmbio, o funcionamento do modo sequencial do Corolla desagradou bastante. Mesmo com a função acionada, a caixa realiza as passagens de marcha caso o motorista não o faça e, pior, o monitor próximo ao velocímetro não exibe a marcha engatada durante as reduções.

Com isso, é fácil acabar se confundindo e não sabe com precisão qual das 4 marchas o câmbio está utilizando no momento. No Civic e no C4 Lounge isso não ocorre. Mesmo que o motorista vá até o limite de corte do motor, o francês passa para a marcha superior, ao contrário do Civic. Além disso, nos dois — e ao contrário do Corolla — o marcador no painel é fiel à marcha selecionada.

Tirando isso, o Corolla mostra que seu conjunto motor e câmbio trabalha em ótima sintonia, tendo em vista os números de desempenho e consumo. Tudo isso só nos faz pensar o que o 2.0 do Corolla conseguiria entregar com um câmbio mais moderno...

Um ponto em que os três poderiam melhorar é o ruído interno, em especial nas rotações mais altas. Na média de nossas medições, o Civic ficou com o pior número (56,8 dB), seguido por Corolla (56,4 dB) e C4 Lounge (55,4 dB).

Independentemente de você optar  pelo campeão deste comparativo, C4 Lounge, Civic e Corolla são modelos muito interessantes e você não sentirá falta de muita coisa no que diz respeito a conforto, suavidade ao rodar e dirigibilidade.

Eles são veículos de tantas qualidades e próximos entre si que basta notar o resultado final na tabela de notas: o Citroën levou a disputa por apenas meio ponto sobre o Honda.

Apesar do desempenho ligeiramente aquém do esperado, pesa a favor do C4 Lounge o bom custo-benefício. Além de ser o mais barato dos três, ele traz mais equipamentos de série importantes, como o controle de estabilidade, 6 airbags e keyless. Ele bem que poderia acrescentar no pacote o GPS integrado, por enquanto uma exclusividade das versões 1.6 turbo, para ficar ainda mais interessante.

Infelizmente, como o C4 Lounge ainda não estava nas lojas quando a reportagem foi produzida, não conseguimos cotar o valor de nossa cesta de peças para ele (levantada junto às concessionárias), mas nos desagradou o preço da primeira revisão, bem maior que a dos rivais (confira os valores no quadro “seu bolso”). Ao menos o Citroën conta com o seguro mais barato e todos oferecem garantia de três anos.

O Civic ganharia fácil este comparativo se não deixasse itens importantes como o ESP e mais airbags somente para a versão superior EXR. Além disso, apesar das boas soluções de aproveitamento do espaço interno, os plásticos utilizados na cabine transmitem uma sensação de simplicidade, o que não é agradável em um carro dessa categoria.

Já o Corolla conta com pacote interessante e é o único a trazer central multimídia com GPS. Porém, o espaço interno mais acanhado frente a Civic e C4 Lounge  e adaptações como as entradas auxiliar e USB no console central só demostram que a atualização que ele recebeu lá fora já estava mais do que na hora. A nova geração do Toyota deverá estrear por aqui ao longo do próximo ano.

Se você não quer esperar tanto, entre o fim deste mês e o início de outubro, outro que estreará a nova geração é o Ford Focus Sedan. Ele promete oferecer muita tencologia, como o motor 2.0 flex com injeção direta e até mesmo assistente de manobras. Como você pode ver, a briga ficará ainda mais acirrada. Sorte a nossa!

 

O custo-benefício da versão Exclusive 2.0 é interessante, assim como a suspensão

1º Citroën C4 Lounge 2.0i Exclusive: 7,7 

Assim como ocorria no Pallas, a Citroën preparou um pacote muito interessante do ponto de vista do custo-benefício para o C4 Lounge Exclusive. Isso foi primordial para que ele conseguisse abrir uma ligeira vantagem frente ao Civic. Mesmo assim, ainda falta ao modelo o navegador integrado e a câmera de ré para ficar ainda mais competitivo. Se destacam também neste Citroën o bom espaço interno e a competência de seu conjunto de suspensão. Apesar disso, esperávamos mais do conjunto motor e câmbio (6 marchas) em termos de desempenho e economia de combustível, pontos nos quais o Citroën ficou apenas na mesma média que os rivais. 

 

O espaço interno é muito bom, assim como o comportamento dinâmico

2º  Honda Civic LXR: 7,7

O motor 2.0 cai muito bem no Civic, até mesmo pela proposta mais esportiva deste sedã. Ele só não ganhou este comparativo porque a versão LXR deve alguns itens importantes de conforto e segurança, como o ESP e airbags laterais e de cortina, por exemplo. Mesmo assim, conta com um conjunto impecável: boa dirigibilidade, desempenho e um habitáculo muito bem concebido, em especial pelo aproveitamento do espaço interno proporcionado por soluções como o assoalho traseiro plano. Apesar da boa qualidade de montagem geral, o tipo dos plásticos usados no interior poderiam ser revistos. Eles transmitem uma sensação de simplicidade.

 

O Corolla ainda agrada no design, mas precisa de uma renovação

3º Toyota Corolla XEi: 7,5
O Corolla é um sucesso de vendas e não é a toa, uma vez que entrega grande parte do que os consumidores do segmento buscam e ainda com o respaldo de qualidade que a marca conquistou ao longo dos anos. Porém, apesar da central multimídia completa, seu preço é elevado. Frente a Civic e C4 Lounge deve um pouco em espaço interno. A nova geração chega em 2014. 

Opinião

Wilson Toume: Quando se trata de comparar Honda Civic, Toyota Corolla e qualquer um de seus rivais, o resultado sempre é complicado. Afinal, os dois modelos de origem nipônica não são líderes e referência do segmento há tanto tempo à toa. E não foi diferente desta vez. O Citroën traz uma série de avanços em relação ao Pallas — especialmente na suspensão —, mas, mesmo assim, ainda acho que falta algo ao modelo. O Corolla atual, por sua vez, está com os dias contados e deve ser substituído em 2014. O Civic, portanto, leva a melhor na minha opinião e seria a minha escolha, caso fosse escolher um desses três para a minha garagem. 

 

Leonardo BarbozaNa minha opinião, os japoneses entregam ótimo nível de qualidade de acabamento e motor e são impecáveis no que diz respeito ao câmbio. Além disso, contam com ótima liquidez no mercado de usados e a revenda é mais fácil do que de outros modelos. Em relação ao Pallas, o C4 Lounge evoluiu muito , além de toda a sofisticação de acabamento que possui. Com o atrativo das 6 marchas da caixa automática e a suspensão muito bem calibrada para o piso brasileiro, o mais novo sedã da Citroën no país também é muito prazeroso no que diz respeito à dirigibilidade. O C4 Lounge está com a nova cara da marca e tem tudo para agradar os consumidores do segmento. Na disputa mostrada aqui, meu voto acompanha o resultado geral e também vai para o Citroën C4 Lounge.

 

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