Duelo sem preconceitos


19/07/2013 17:22
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60
Comparativo Ford EcoSport X Lifan X60

Por Ricardo Ribeiro

Competidores:

Ford EcoSport: A nova geração do utilitário esportivo, na versão Freestyle 1.6 de R$ 61.500,00.

Por quê? O modelo inventou o segmento em 2003 e, renovado recentemente, continua líder de vendas na categoria.

Ford EcoSport encara rival que acaba de chegar ao mercado

Lifan X60: O SUV é oferecido em versão única por R$ 52.777, com motor 1.8 apenas a gasolina.

Por quê? Recém-lançado no Brasil, o carro é o primeiro utilitário esportivo da chinesa Lifan e inaugura nova fase da marca no país.

Lifan X60 aposta em menor preço e habitáculo recheado

 

Ao parar no posto, o frentista disparou: “É aquele SUV chinês!” Mas os olhos saltados de curiosidade logo deram lugar a uma expressão cheia de desconfiança ao ouvir uma resposta afirmativa.

 

Ainda novas no mercado nacional, as marcas oriundas da China despertam, com frequência, o interesse do consumidor. No entanto, as fabricantes ainda precisam lidar com a desconfiança da maioria dos brasileiros.


Essa impressão se deve à má fama de muitos produtos vindos daquele país, como os eletrônicos “descartáveis” e clonados sem licença vendidos pelos camelôs mundo afora. Além disso, a imagem das fabricantes que atuam há mais tempo no mercado brasileiro é mais forte e está consolidada.


Mas os chineses estão aí. E cheios de planos para ampliar sua participação no país. Com diversas opções de produtos de entrada, a nova estratégia é entrar no aquecido segmento de utilitários esportivos, já que quase todo mundo por aqui adora um carro alto.


A Chery já vende o Tiggo e agora a Lifan começa a importar o X60. O modelo tem predicados para conquistar alguns clientes, mas comete também os pecados de uma indústria iniciante — na produção de carros e na atuação no Brasil — ainda tentando se adaptar a um cliente cada vez mais exigente.


É o momento para um teste de fogo sem preconceitos. Colocamos o X60 para enfrentar o líder de vendas da categoria, o Ford EcoSport.


O visual do X60 não é feio, mas não espere qualquer ousadia. Falta ao desenho um mínimo de graça para despertar o desejo do comprador.


A dianteira parece ter sido inspirada na antiga geração do Toyota RAV4. E a traseira tem um ar de Hyundai Tucson. Pelo menos, a frente pronunciada e as rodas grandes dão a aparência robusta que se espera de utilitários esportivos. No entanto, a nova geração do EcoSport, com linhas mais modernas, leva a melhor.


O chinês tem a seu favor a fita métrica. São 8 cm a mais no comprimento e na distância entre-eixos que o Ford. As medidas resultam em um interior muito espaçoso. Mesmo com os bancos dianteiros recuados, há distância de sobra entre os encostos e os joelhos dos passageiros dos bancos traseiros. Mas, se as acomodações são decentes, o X60 deixa a desejar no acabamento. O couro bege nos bancos e nas forrações não disfarça a falta de capricho na montagem e as peças utilizadas transmitem aparência de fragilidade. 


O plástico em algumas partes da cabine é muito pobre, contribuindo para dar ao interior do X60 um aspecto extremamente simplório, apesar da intenção da fabricante ter sido a oposta. 


O EcoSport, por sua vez, não é luxuoso, mas o tipo de plástico empregado no acabamento é muito mais agradável ao toque. O estilo do interior é mais moderno, assim como o painel, o mesmo usado no New Fiesta.


Vale lembrar que o EcoSport criou o segmento dos SUVs compactos no Brasil, em 2003. O projeto era simples: a partir da base do Fiesta, criou-se um modelo com visual de SUV com suspensão (e preço) elevados. Apesar de exibir problemas de acabamento, o público não demorou a transformá-lo num campeão de vendas. 


Já a nova geração é um projeto global que atende normas e necessidades do mercado internacional. Isso não se reflete só no acabamento, mas no desempenho, já que o EcoSport tem mecânica mais refinada. O motor Sigma 1.6 flex de 115 cv é ágil e trabalha bem com o câmbio manual, de engates suaves e precisos. No entanto, menor que o do rival, o propulsor Ford sofre mais quando o carro está carregado. Além disso, o seu consumo não foi dos mais empolgantes, com média de 6,7 km/litro na cidade.


Mesmo não sendo um veículo adequado para o off-road, a suspensão mostrou robustez em estradas de terra esburacadas e em terrenos acidentados.


Já o X60, mesmo com motor maior (1.8 de 128 cv), foi mais lento nos testes de aceleração e retomada. É quando a carroceria mais ampla, e cerca de 100 kg mais pesada, cobra seu preço. Mas não é uma diferença tão grande a ponto de comprometer o uso diário com o veículo. Um aspecto que incomoda é o nível de ruído, que mostrou-se tão elevado que houve até quem o confundisse com um veículo movido a diesel.


Os engates do câmbio são duros e imprecisos. Da mesma forma, a direção com assistência elétrica não transmitiu muita confiança ao condutor, principalmente em velocidades mais elevadas. Outro ponto negativo foi a suspensão, excessivamente macia, que faz com que a carroceria balance exageradamente nas manobras.E como se não bastasse o barulho do motor, esse chacoalhar lembra os ocupantes das folgas entre partes internas do veículo, com diversos ruídos vindos principalmente da parte traseira.


Com referência ao conforto e ao entretenimento, ambos trazem sistemas multimídia. O do X60 tem tela maior, de 7” e sensível ao toque. Há sistema de navegação e a tela exibe as imagens da câmera de ré. No Ford, o equipamento é mais fácil de usar, há uma boa interação com smartphones e comandos de voz. Mas a tela é muito pequena e carece de um visual mais sofisticado. Além disso, também faz falta um navegador, item obrigatório em um automóvel que custa R$ 61 500. Esse é o valor que a Ford pede pela versão Freestyle 1.6, que tem entre os itens de série freios com ABS, airbags, controles de estabilidade e de tração, sensor de estacionamento e assistente de partida em rampas. Apesar de completa, seu preço é elevado diante de outros concorrentes.

 

O Lifan, por sua vez, é oferecido em versão única, tem mais equipamentos, como a câmera de ré, e custa menos. O problema é que, por sua mecânica e acabamento, o preço deveria ser ainda menor que os R$ 52.777 estipulados pela marca para atrair clientes. Ainda mais que o modelo escapa do Imposto de Importação, já que as suas peças chegam da China, mas o carro é montado no Uruguai.


Resumindo, é mais vantajoso considerar um EcoSport de entrada (R$ 54.800) ou o Renault Duster (a partir de R$ 49.990) que ainda é mais carro que o chinês. O X60 pode até incomodar conterrâneos como o Chery Tiggo, que acaba de ser reestilizado, mas ainda não é páreo para modelos mais experientes.

 

Opinião de: Vinícius Montoia

Logo que o X60 chegou à redação, fui conversar com pessoas que não trabalham na área para saber a opinião delas sobre a novidade da Lifan. E, apesar de conhecerem o EcoSport, muitas disseram que comprariam o X60. O que achei mais surpreendente é que boa parte dos “entrevistados” apontou a tela multimídia no painel do X60 como principal atração do carro. Particularmente, apesar da diferença de preço, fico com o Ecosport.

 

Opinião de: Leonardo Barboza

Embora o Lifan X60 seja mais completo em termos de equipamentos de série, ofereça espaço de sobra, tenha motor maior e mais potente e custe menos, é bom ficar atento. Afinal, a Lifan está no Brasil há apenas três anos e o seu serviço de pós-vendas ainda não me transmite  plena confiança. Ficaria com o EcoSport, mesmo com o carro oferecendo um pouco menos espaço e equipamentos. Com o Ford, ao menos, sei que o risco de “ficar na mão” com a manutenção é bem menor.

 

Nossa Conclusão

1º Ford EcoSport - Média final: 6,9

A nova geração do EcoSport foi desenvolvida para ser vendida em diferentes mercados, incluindo países da Europa. Isso é uma vantagem, o utilitário é mais moderno e tem predicados para atender a mercados mais exigentes que o Brasil. O motor tem bom desempenho, sem alto consumo de combustível. O visual é atual, e o acabamento, correto. O acerto de suspensão é mais eficiente que o dos rivais, sendo firme para os buracos sem comprometer o conforto dos passageiros. A Ford peca no preço, que acompanhou a evolução do carro e está acima do que pedem os concorrentes. A plataforma sacrifica um pouco o espaço e, no caso da versão avaliada, faltam equipamentos para a faixa de preço. No entanto, o modelo é superior ao rival deste teste.

Pontos positivos: O modelo tem design atual e acabamento honesto. A mecânica é mais refinada que a do rival, com destaque para o desempenho do motor Sigma 1.6. O Ford leva vantagem por ser um projeto mais modesto.

Pontos negativos: A versão intermediária é mais cara do que concorrentes equivalentes e, apesar de ter muitos itens de série, faltam equipamentos com câmera de ré e navegador. O espaço interno poderia ser maior.

2º Lifan X60 - Média final: 6,4

O Lifan X60 tem amplo espaço interno e aparência robusta, com a dianteira pronunciada e linhas musculosas. O modelo também é bastante completo de série. Mas não é só isso que se quer de um utilitário esportivo. Falta capricho no acabamento e na montagem, com folgas, rebarbas e peças com aparência frágil. O motor é barulhento e os engates do câmbio manual são duros e imprecisos. O acerto de suspensão chacoalha demais os ocupantes e não filtra as imperfeições do asfalto como se espera. E com todos os problemas, o modelo da Lifan nem é tão mais barato.

Pontos positivos: O preço é mais em conta que o dos rivais e o espaço interno é amplo, com conforto de sobra para os passageiros do banco traseiro.

Pontos negativos: O acabamento é simplório, com rebarbas e peças frágeis. O acerto de suspensão e o motor barulhento deixam a desejar

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