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23/10/2009 08:05:00

Spyker C8 Spyder SWB: aos obstinados

Esportivo holandês chega ao Brasil com 400 cv na bagagem por R$ 1,1 mi

Spyker C8 Spyder SWB

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Thiago Vinholes

Você já ouviu falar da Spyker? Há pouco tempo a fabricante de origem holandesa ficou famosa (ou melhor, voltou a ser famosa. Já falaremos sobre isso) ao participar da temporada 2007 de Fórmula 1, mesmo figurando sempre nas últimas posições do grid. Porém, a grana ficou curta e a equipe acabou vendendo seu aparato à Force Índia. Pois bem, eles também produzem carros de rua. E que carros. Um deles é o C8 Spyder SWB (sigla em inglês para “entre-eixos curto”), que chega ao Brasil por meio da Platinuss, representante oficial da marca no país, somente sob encomenda a partir de R$ 1,1 milhão. Caro, não?

Para conferir a novidade, o Carro Online foi convidado pela importadora a dar uma volta numa versão de demonstração do C8 vinda de Amsterdã na pista da Pirelli, em Paulínia (SP). Quem o vê e aposta que ele anda muito não se engana. São 400 cavalos de potência disponíveis a 7 000 rpm e 48,9 kgfm de torque a 3 400 rpm que correm do motor Audi 4.2 V8 para as rodas do eixo traseiro sem nenhum controle eletrônico de estabilidade ou tração. É um carro puro. “É o mesmo motor do Audi R8, mas com 20 cv a menos por causa da calibração da Spyker”, afirma Norberto Gresse, piloto da Stock Car, que deu indicações aos jornalistas sobre a condução correta da máquina.

“É um carro de corrida”, afirma Gresse. “Respostas de volante, suspensão e câmbio são iguais a de carros de competição”, completa com razão o piloto. Dirigir o Spyder é complicado. Os três pedais (sim, ele tem câmbio manual!) são muito próximos uns dos outros, o que, segundo Gresse, facilita o chamado punta-taco (manobra que consiste em acelerar e frear ao mesmo tempo em reduções de marcha em alta velocidade – não faça isso com o seu carro, é coisa para profissional!). A transmissão de 6 marchas tem engates muito precisos. Trocar marcha nesse automóvel não é uma necessidade, é um prazer. A cada mudança o V8 responde com vigor e faz o corpo colar no banco concha. É uma experiência e tanto.

“Cuidado na curva, se acelerar demais vira drift”, avisa Gresse. Por ser largo e possuir pneus de alta performance (235/35 R19 na frente e 265/30 R19 atrás), o C8 Spyder “devora” as curvas, mas é preciso muita perícia. Segundo informações da Spyker, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 4s5 e atinge a velocidade máxima de 300 km/h. Não chega a ser super, mas é um senhor esportivo. Para entrar no clube dos superesportivos (Bugatti Veyron, Lamborghini Murciélago e Pagani Zonda são bons exemplos), digamos que o veículo teria de cumprir a prova de aceleração em menos de 4s0 e passar dos 320 km/h. Está quase lá.

Boa parte do desempenho do C8 deve-se também ao seu bom equilíbrio e baixo peso. O motor é central (como num bólido de F1) e sua carroceria, chassi e toda parte mecânica (incluindo motor e câmbio) são de alumínio. De acordo com a marca holandesa, o conversível pesa apenas 1 250 kg, o que lhe rende uma relação peso/potência de meros 3,5 kg/cv. É como se um cavalo transportasse apenas um poddle toy na cela. Tal atributo é sentido na esperteza do modelo. O acelerador deve ser tratado com carinho, caso contrário o carro arranca de maneira brutal. Mas pará-lo não é problema. Basta pisar fundo no freio que discos ventilados nas quatro rodas são “mordidos” por pinças de alta performance.

Esportividade e muito luxo

Além da potência e esportividade escancaradas, os carros da Spyker têm design único e extremamente peculiar. A inspiração, como mostra a hélice no logotipo da marca, vem dos primórdios da aviação militar. No C8 Spyder, por exemplo, detalhes cromados aparecem nas entradas de ar laterais e na parte traseira. Quem prestar mais atenção ainda vê que nos canos de escapamento está escrito “Nulla Tenaci Invia Est Via”, que traduzido do latim para o português significa “Aos obstinados, nenhum obstáculo é intransponível”. São detalhes curiosos de um carro feito para ser raro (e caro).

Na reluzente cabine, que pode ser customizada de acordo com o gosto do comprador, diversos comandos mais uma vez remetem à aviação. O botão de ignição parece a tecla de acionamento de mísseis de caças e as portas tem abertura no estilo tesoura. Quase todas as partes do interior são revestidas de couro de alto padrão e sempre em cores exóticas, como o laranja ou amarelo vistos nas fotos. O que não é coberto pelo tecido recebe revestimento de alumínio escovado. Já os bancos e o volante vem de carros da Audi.

De volta para o futuro

Bastante antiga e muito nova ao mesmo tempo, a Spyker foi fundada em 1880 pelos irmãos Jacobus e Hendrik Jan Spijker na Holanda. Para melhor a aceitação de seus produtos na época, o “ij” foi trocado pelo “y”. A primeira atividade da empresa foi a fabricação de carruagens e, ainda no final do século XIX, a marca iniciou a produção de seus primeiros automóveis com motor a combustão.

A associação da Spyker com o mundo das competições automobilísticas começou em 1907, quando a fabricante completou na segunda colocação o rali Pequim-Paris. No entanto, o foco da empresa foi completamente alterado no período que antecedeu a 1ª Guerra Mundial. Nessa época, a fabricante se fundiu à Aircraft Factory NV e iniciou a fabricação de aviões de combate em 1914. Daí a origem de sua logomarca.

No entanto, com o final do conflito, que arrasou parte da Europa, a fabricante ficou sem clientela e acabou falindo em 1925. No entanto, jamais foi esquecida. Em 2000, investidores holandeses adquiriram junto à família dos fundadores o direito de utilização do nome Spyker em uma nova linha de carros tão esportivos quanto exóticos.

Mas quem compra um Spyker? “Empresários milionários e colecionadores de gosto muito apurado”, explica Hideki Oshiro, consultor da Platinuss. Mas se nem um Porsche 911 chega a custar R$ 1,1 milhão, o Spyker não é muito caro? “Já temos interessados”, completa o representante da importadora.

Imagens Pedro Bicudo

Interação

Comentários

Luiz , em 26/10/2009 - 00:19

Melhor comprar um Audi R8, muito melhor e mais bonito e pela metade do preço.

joao , em 24/10/2009 - 12:15

Sou muito mais o rs6... anda tanto quanto, eh mais bonito, inegavelmente mais confortavel e custa a metade disso ai... nao q isso seja uma vantagem, pq afinal, estamos falando de mais de meio milhao de reias, mas por 1,1 milhao prefiriria colocar mai...